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Tomás Correia: “Qualquer dia não temos instituições nacionais”

Luís Barra

O ex-presidente do Montepio, em entrevista à revista “Sábado”, diz não conhecer o empresário José Guilherme e não saber se o empréstimo concedido terá sido feito enquanto ainda era líder da instituição bancária

O Montepio não partilhará do destino do Banco Espírito Santo (BES) e do Banif, garante Tomás Correia, ex-presidente do conselho de administração do Montepio e atual presidente da Associação Mutualista (AM), em entrevista à revista “Sábado” desta quinta-feira. “Uma instituição com pés de barro não resistia dois anos nesse ambiente de dúvida. O Montepio tem tido capacidade de resistir”, garante.

Não é com bons olhos que Tomás Correia vê a venda do Novo Banco. “Qualquer dia não temos instituições nacionais”, queixa-se, defendo ainda que “há sempre alternativas”.

“Se o Novo Banco for adquirido por algum dos candidatos na corrida [Minsheng, Lone Star e ApoilotCenterbridge], todo o sistema financeiro em Portugal, com exceção da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Montepio e Crédito Agrícola, será dominado por capitais estrangeiros. Há meia dúzia de anos, o capital português tinha 85% da quota do mercado segurador. Hoje, as ünicas companhias de capital nacional são a do Crédito Agrícola e a Lusitânia, do Montepio. Passámos de 85% para 7% de quota e alienamos mais de 100 anos de acumulação de saber”, explica.

Para Tomás Correia, estas mudanças não foram bons negócios. “Recebemos 1500 milhões de euros pelas vendas, com exagero 2000 milhões, mas a liquidez que saiu e que estava aplicada em ativos portugueses é de umas boas dezenas de milhões. Não concordo com este processo de alienação sistemática. Por este caminho, vamos continuar a empobrecer”, acusa.

Caso Montepio. Tomás Correia já preparou defesa

Durante a entrevista à “Sábado”, quando confrontado com as suspeitas de “práticas de crimes de burla qualificada, abuso de confiança, branqueamento, fraude fiscal e, eventualmente, corrupção” num empréstimo de 74 milhões de euros concedido a José Guilherme para a compra de um terreno – caso que tem sido noticiado pelo Expresso –, Tomás Correia escusou-se a fazer comentários, “por dever de sigilo”.

O ex-presidente do Montepio afirma não conhecer José Guilherme e não saber se o financiamento concedido terá sido feito enquanto ainda era líder da instituição bancária. “Não sei, mas tenho uma certeza: os procedimentos nessas matérias sempre foram muito rigorosos, não acredito que haja algo que ponha em causa pessoas ou a instituição”, diz.

Tomás Correia confirma ainda que já entregou a sua defesa sobre este caso e diz ainda ter a “certeza de que terá um desfecho completamente limpo”.