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Paulo Portas sobre Trump: devemos esperar um Presidente “económico”

Miguel A Lopes/Lusa

A chegada ao poder de Donald Trump vai trazer consequências para a Europa, aponta o vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. “Ele tende a valorizar os países individualmente e não como um todo…”

É já esta sexta-feira que Donald Trump assume a presidência dos Estados Unidos da América. Deste lado do Atlântico, Paulo Portas, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro no Governo de Pedro Passos Coelho e atual vice-presidente da CCIP - Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em entrevista ao “Público” e à Renascença traça um cenário difícil para os próximos quatro anos.

Primeiro: a chegada ao poder de Trump vai trazer consequências para a Europa, aponta Portas. “Ele tende a valorizar os países individualmente e não como um todo…” De Trump, devemos esperar um Presidente “económico” e que vai valorizar as relações históricas com o Reino Unido; os restantes países, mais vulneráveis ao nível financeiro, não terão tanta sorte.

“Onde eu acho que está um risco grande na Presidência Trump é no comércio”, afirma Paulo Portas. Ao mesmo tempo que os EUA vão reformular algumas das suas políticas económicas internas, as consequências que se farão sentir não vão ficar circunscritas ao continente americano. “A Europa está a perder competitividade desde a digitalização e da globalização. E os europeus estão a convencer-se de que são perdedores da globalização. E quem não vende nem compra, empobrece. E não inova”, diz o ex-governante.

Com o Brexit, quem ficou a perder foi a Alemanha, “porque tem a única economia grande do euro que é competitiva. Fez reformas, adaptou-se. A economia inglesa era a que podia ajudar a Alemanha, que agora fica sozinha a levar com os problemas e as dívidas da Europa”, explica.

Segundo Portas, chegados a este momento de tensão, “é quase inevitável reconhecer que a única pessoa confiável que resta é a senhora Merkel. Ela irá provavelmente para um quarto mandato... “