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Francisco Assis: futuro do Governo “a curto ou a médio prazo” deve passar por eleições antecipadas

Marcos Borga

Tendo em conta que o PS está dependente do PSD e do CDS para passar medidas como a descida da TSU, o Governo corre o risco “de se instalar numa situação de paralisia” quando os partidos de esquerda não votarem no sentido desejado por António Costa, defende o eurodeputado socialista

Francisco Assis não é conhecido por ser consensual nas fileiras do PS. O eurodeputado socialista, num texto de opinião publicado esta quinta-feira no “Público”, faz um diagnóstico pouco positivo do Governo de António Costa a curto e a médio prazo. E traça uma meta surpresa: eleições legislativas antecipadas.

Para Assis, tendo em conta que o PS está dependente do PSD e do CDS para passar medidas como a descida da Taxa Social Única (TSU), por exemplo, o Governo corre o risco “de se instalar numa situação de paralisia” sempre que os partidos de esquerda não votarem no sentido desejado por António Costa. “Qual a saída para tão precária situação? Por muitos custos que possa ter, não vislumbro outra que não passe, a curto ou médio prazo, pela realização de eleições legislativas antecipadas”, escreve.

“A primeira ilação a retirar desta crise [da TSU] é a de que o executivo do Partido Socialista só está em condições de assegurar em toda a plenitude a governação do país se puder contar com o apoio parlamentar de duas maiorias alternativas e contraditórias. Em tudo o que releva da restituição de rendimentos a alguns sectores específicos da sociedade portuguesa, da concessão de novos apoios sociais ou da reversão de decisões tomadas pelo anterior Governo, o atual executivo pode contar com o apoio do PCP e do BE”, defende.

O eurodeputado socialista, que se bateu com José António Seguro pela liderança do partido, acusa os partidos à esquerda do PS de não estarem preocupados com a concertação social e continuarem a manifestar “uma interpretação marxista da sociedade e da história”. Mais: lembra que tanto Francisco Louçã, de quem cita uma crónica sobre o impasse na TSU, como Catarina Martins e Jerónimo de Sousa “não dizem hoje coisas substancialmente diferentes daquelas que foram reiteradamente afirmando ao longo das suas vidas”.

Desde que António Costa chegou ao poder com o apoio do BE, PCP e Verdes, os partidos da esquerda estiveram “aparentemente anestesiados”. “Viveu-se assim num tempo da ilusão de uma coabitação política fecunda. A partir de agora as coisas colocar-se-ão de forma bem diferente”, afirma.

Assis nota ainda no mesmo texto de opinião que se as eleições legislativas se realizassem no curto prazo, e tendo em conta as últimas sondagens, “provavelmente proporcionariam ao PS a possibilidade de obter a legitimidade que agora não tem para agir, de facto, como partido charneira nesta fase da nossa vida democrática”.