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Promessas eleitorais: palavra dada, palavra honrada – em 60% dos casos

Rui Ochôa/ expresso

No topo da lista dos primeiros-ministro mais cumpridores aparece António Guterres com cerca de 85% das promessas eleitorais cumpridas. Logo a seguir, surgem José Sócrates, com quase 80%, e Passos Coelho, apesar da intervenção da troika, com 60% das promessas cumpridas

“Eles falam, falam, falam, falam, mas não os vejo a fazer nada.” Estas palavras de Ricardo Araújo Pereira, num sketch dos Gato Fedorento disponível na internet, são bastante conhecidas dos portugueses. Quando se fala em promessas políticas, durante as campanhas eleitorais, muitos portugueses acusam os Governos do mesmo problema: eles prometem, prometem, mas nunca cumprem nada. Mas talvez esta perceção não esteja totalmente correta. Ou melhor, depende mesmo muito do Governo que se está a falar.

De acordo com um estudo feito no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), os Governos portugueses dos últimos 20 anos, de 1995 a 2015, cumpriram cerca de 60% das promessas escritas nos programas eleitorais. A notícia é avançada esta terça-feira pela TSF.

Este estudo contraria a perceção dos eleitores que acreditam que os partidos não cumprem a grande maioria daquilo que dizem antes das eleições. Nas últimas duas décadas, os Governos cumpriram, em média, cerca de 50% das promessas eleitorais, tendo parcialmente cumprido outros 10%.

“Portugal até tem dos melhores desempenhos no cumprimento de promessas”, diz Ana Maria Belchior, investigadora do ISCTE que liderou este estudo, em declarações à TSF.

No topo da lista dos primeiros-ministros mais cumpridores aparece António Guterres com cerca de 85% das promessas eleitorais executadas, total ou parcialmente. Logo a seguir aparecem José Sócrates, com quase 80%, e Passos Coelho, que apesar da intervenção da troika conseguiu atingir 60% das promessas cumpridas.

Já no fundo da tabela aparece o segundo Governo de Guterres e os dois executivos PSD/CDS de Durão Barroso e Santana Lopes, com números próximos, respetivamente, dos 45% e 30%. É importante lembrar que estes Governos caíram todos a meio da legislatura, logo não tiveram tempo para cumprir o programa apresentado em campanha.