Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

Galamba insiste com nacionalização do Novo Banco

TIAGO PETINGA / LUSA

A nacionalização tem dois grandes benefícios, aponta o porta-voz do PS. O primeiro é que permite normalizar a situação do Novo Banco, retirando-lhe estatuto de banco de transição. O segundo é que permite olhar o verdadeiro problema do sistema bancário nacional: o crédito malparado

Primeiro resolver o malparado, depois a nacionalização do Novo Banco. Este é o caminho apontado por João Galamba, vice-presidente da bancada parlamentar do PS, num texto de opinião publicado esta terça-feira no “Público”. Pelo segundo dia consecutivo, Galamba volta à carga.

A nacionalização tem dois grandes benefícios, aponta. O primeiro é que permite normalizar a situação do banco, retirando-lhe estatuto de banco de transição. “Um banco com um prazo para ser vendido não é bem um banco, nem nunca poderá ser bem vendido sem enormes subsídios por parte do vendedor.”

O segundo “é que permite olhar o verdadeiro problema do sistema bancário nacional – a qualidade dos seus ativos, a sua rentabilidade e a viabilidade do seu modelo de negócio – e procurar uma solução sistémica, bem menos custosa, e muito mais eficaz, do que uma solução banco a banco”.

Para Galamba, a “falta de qualidade de todas as ofertas de compra conhecidas” é a maior demonstração que o problema está a ser colocado pela ordem inversa: “Primeiro, é necessário resolver problema do malparado, qualidade do balanço e rentabilidade do banco, e só depois vender”.

Tal como disse ao “Diário de Notícias” na segunda-feira, o deputado socialista frisa no texto de opinião que a solução encontrada para o Banco Espírito Santo não foi o que se tinha prometido. “Tratava-se de uma operação sem custos para os contribuintes e era a que melhor preservava a estabilidade do sector; e o BES tinha sido dividido em dois, sendo o Novo Banco um banco limpo de todos os ativos tóxicos, plenamente capitalizado e com elevado valor, o que facilitava a venda futura. Nada disto era verdade”, explicou.

A injecção de 4.9 mil milhões de euros pelo Fundo de Resolução, apesar de teoricamente assegurados pelo próprio sector financeiro, “teve de ser feita quase inteiramente pelo Estado”. Isto aconteceu porque o “fundo não estava capitalizado” e, sobretudo, “porque nunca poderia ser devidamente capitalizado pelo sistema financeiro, a não ser a longuíssimo prazo”.

Por isso, Galamba sublinha ainda que “importa dizer que a resolução foi mal feita, porque, ao contrário do que foi várias vezes afirmado, o Novo Banco não se tornou num banco limpo e rentável, pronto a ser vendido”.

  • João Galamba defende nacionalização do Novo Banco

    Para o vice-presidente da bancada parlamentar do PS, os custos para os contribuintes de uma operação de nacionalização já foram de facto assumidos, a 13 de agosto de 2014, com a criação do Fundo de Resolução, quando o passivo da instituição “passou para o Estado”