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Salgado agradece a Soares: “Chocou-se com a destruição do BES por um PREC de direita”

João Carlos Santos

Ricardo Salgado fala de “um grande Português” e de “um grande amigo”. O ex-presidente do BES agradece a Mário Soares “a amizade que dedicou à minha família mais direta após a desgraça que ocorreu em agosto de 2014”

"Teve a lucidez de chamar os empresários espoliados em 1975, entre eles o Grupo Espírito Santo" e "chocou-se com nova destruição do GES, agora por um PREC de direita, de políticos despreparados e sem a visão de Estado que sempre o caracterizou". Palavras de Ricardo Salgado, num artigo publicado esta segunda-feira no "Jornal de Negócios", com o título "Um grande Português".

O ex-presidente do BES agradece a Mário Soares o ter sido "sempre um homem solidário nos momentos mais difíceis dos seus amigos" e diz ter sido "verdadeiramente seu amigo". "Sinto-me reconhecido e agradecido pela amizade dedicada por si e por Maria de Jesus Barroso à minha família mais direta, e a mim, especialmente no período subsquente à desgraça que ocorreu a 3 de agosto de 2014", escreve o ex-banqueiro.

Salgado refere o "homem de enorme coragem", quer no combate "ao antigo regime", quer "no período da democratização e do PREC", quer quando "soube convencer os EUA de que valia a pena apoiar Portugal", quer na adesão à CEE, quer quando "teve a lucidez de chamar os empresários espoliados, entre eles o GES, o que contribuiu para um período de entrada de capitais sem precedentes que conjugava os fundos europeus aliados aos capitais destinados às reprivatizações. Isso permitiu reconstruir a economia do país", afirma.

Sobre o processo de descolonização, o que mais suscita críticas na vida política de Mário Soares, Ricardo Salgado diz que "o processo foi forçado pelas grandes potências e não devemos esquecer a teoria do dominó de Eisenhower para compreender o que aconteceu".