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Louçã pede a Costa para não vender Novo Banco a “flibusteiros”

José Caria

As opções apresentadas por Sérgio Monteiro, responsável pela venda do Fundo de Resolução, “até hoje para o banco têm sido todas perigosas e estas [a venda à Lone Star ou à Apollo/Centerbridge] não o são menos”, acusa Francisco Louçã

Até ao final desta quarta-feira, o Banco de Portugal vai ter de decidir qual a proposta que vai recomendar ao Governo para a venda do Novo Banco: se a do fundo Lone Star ou a do consórcio Apollo/Centerbridge. (Pelo menos, a proposta de aquisição da Lone Star expira à meia-noite.) Mas caso esta decisão dependesse de Francisco Louçã, ex-líder do Bloco de Esquerda, o Novo Banco não seria vendido.

Num texto de opinião publicado esta quarta-feira no “Público”, Louçã pede a António Costa para ponderar melhor a sua decisão. As opções apresentadas por Sérgio Monteiro, responsável pela venda do Fundo de Resolução, “até hoje para o banco têm sido todas perigosas e estas [a venda à Lone Star ou à Apollo] não o são menos”, acusa.

Para o ex-bloquista, a venda neste momento “só tem uma virtude clarificadora, a anuência do PSD e CDS”. Há razões para suspeitar dos compradores, diz Louçã, apelidando-os de “flibusteiros, ou aventureiros provados no mar alto da finança mundial”.

O economista lembra que o fundo texano Lone Star nasceu na crise dos anos 1990 e lançou-se com o “crash dos tigres asiáticos”, comprando propriedade imobiliária e empresas em dificuldades. “O seu negócio é a dívida e a destruição de empresas ou a sua venda a curto prazo”, escreve. Já o fundo Apollo (em conjunto com o Centerbridge) foi fundado por Leon Black, o braço-direito de Michael Milken, o rei dos junk bonds, que veio a ser condenado à prisão em 1989 por crimes vários, lembra.

“Ao comprarem o Novo Banco, visto que lhes pode ser difícil distribuir desde logo dividendos para recuperarem o capital, estes fundos procurarão utilizar as garantias do Estado e os créditos fiscais (e já lá estarão cinco mil milhões), pedir novos empréstimos e retirar capitais do banco, espremendo também os créditos em curso na economia nacional para aumentarem as taxas de retorno. Em resumo, ameaçarão o banco, atacarão os clientes, arriscarão os depositantes”, justifica Francisco Louçã.

  • Responsáveis da Apollo em Lisboa para melhorar oferta pelo Novo Banco

    A Lone Star propõe-se a pagar 750 milhões de euros pelo Novo Banco, prevendo investir um valor igual no reforço de solidez da instituição. Para bater esta oferta, a aliança Apollo/Centerbridge terá de rever em alta a sua proposta financeira. Durante o processo de negociação, nunca foi conhecido o valor que o consórcio propôs pagar