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Christie's ainda não cancelou o contrato para leilão das obras de Miró

Rui Duarte Silva

A Christie’s ainda não formalizou o fim do contrato que a unia à Parvalorem para o leilão da colecção. Mais: a leiloeira ainda está disponível para voltar a colocar a colecção à venda

As obras de Joan Miró estão em exposição na Fundação Serralves, no Porto, desde setembro e o Governo já prometeu que seria aí que iam ficar no futuro. Contudo, o imbróglio em que as obras do pintor espanhol se viram envolvidas até chegar ali ainda não foi totalmente resolvido. Segundo o “Jornal de Negócios” esta quarta-feira, a leiloeira Christie’s ainda não formalizou o fim da sua ligação contratual ao Estado português no que diz respeito à venda das obras de Joan Miró herdadas com a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN). Mais: a leiloeira até se mostra disponível para voltar a colocar a colecção à venda.

“A Christie’s aguarda com expectativa a recalendarização da venda da colecção de obras de Joan Miró assim que as questões legais e comerciais em torno da colecção ficarem resolvidas”, disse Alexandra Deyzac, gestora da área de comunicações para a Europa do Sul da leiloeira, ao “Negócios”.

De acordo com o matutino, a Christie’s ainda não formalizou o fim do contrato que a unia à Parvalorem para o leilão da colecção. A leiloeira não esclareceu também se já exigiu ou vai exigir algum pagamento pela revogação do contrato anterior.

Em setembro, o Governo anunciou que iria manter nos museus portugueses a colecção de obras de arte do pintor catalão - estas passaram para a Parvalorem e para a Parups após a nacionalização do BPN. Nesse mesmo mês, foi assinalado pelo Ministério da Cultura que “é orientação do XXI Governo Constitucional a não alienação das obras Miró e sua integração em entidade museológica nacional”.

As obras de Miró estiveram para ser vendidas em 2014, de forma a abater em parte a dívida nacionalizada do BPN, mas a leiloeira acabou por cancelar aqueles eventos depois de o Ministério Público ter vindo a defender irregularidades na operação. Na altura, a sociedade Parvalorem não conseguiu vender as obras, como era a indicação accionista dada pelo Governo de Passos Coelho.