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Ex-presidente do INEM também é suspeito de favorecer empresas de equipamentos informáticos

Tiago Miranda

Luís Cunha Ribeiro também está a ser investigado por ter beneficiado, entre 2003 e 2008, duas empresas do Norte em contratos de aquisição de equipamento informático para o INEM, conta o “Público” esta quarta-feira

Para além das suspeitas de corrupção na concessão à Octopharma do monopólio do negócio da venda do plasma sanguíneo aos hospitais públicos portugueses, pelas quais ficou detido esta terça-feira, Luís Cunha Ribeiro, ex-presidente do INEM e ex-responsável pela Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, também estará a ser investigado, por corrupção, por ter beneficiado, entre 2003 e 2008, duas empresas do Norte em contratos de aquisição de equipamento informático para o INEM. A notícia é avançada esta quarta-feira pelo “Público”.

Segundo o matutino, ao investigar as contas de Cunha Ribeiro a Unidade Nacional de Combate à Corrupção detetou transferências de dinheiro provenientes daquelas empresas da área informática, ambas geridas pelo mesmo responsável, que terá ligações a Cunha Ribeiro. Quando este assumiu a liderança do INEM, em 2003, desencadeou a reestruturação de todo o material informático, que na altura considerava obsoleto.

Durante o dia de terça-feira, foram feitas mais de 30 buscas e foram constituídos quatro arguidos na operação “O negativo”, segundo um comunicado da Procuradoria-Geral da República. Além de Cunha Ribeiro, foram ouvidos dois advogados e uma representante da Associação Portuguesa de Hemofilia.

Segundo a PGR, o interrogatório judicial de Luís Cunha Ribeiro deverá começar esta quarta-feira à tarde. Os restantes três arguidos serão ouvidos posteriormente.

A sociedade de advogados PLMJ já confirmou que foi constituído arguido um advogado daquela firma durante as buscas de uma investigação sobre negócios de plasma na qual estará envolvido um seu cliente, tratando-se de Paulo Farinha Alves, que era advogado de Lalanda e Castro.

Após ter feito parte do júri do concurso no ano 2000, Luís Cunha Ribeiro é suspeito de ter entregue à farmacêutica Octapharma o monopólio do negócio da venda do plasma sanguíneo aos hospitais públicos portugueses. Em causa está a apropriação indevida de cerca de 100 milhões de euros pertencentes ao Estado.

“No inquérito investigam-se suspeitas de obtenção, por parte de uma empresa de produtos farmacêuticos, de uma posição de monopólio no fornecimento de plasma humano inativado e de uma posição de domínio no fornecimento de hemoderivados a diversas instituições e serviços que integram o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, refere a nota da PGR

Cunha Ribeiro terá sido subornado por Lalanda de Castro, presidente da Octapharma, com dois apartamentos de luxo: um em Lisboa, outro no Porto. Ambas as casas eram propriedade da Convida, sociedade imobiliária que pertencia a Lalanda de Castro.

Para a primeira habitação em Lisboa, terá sido simulado um contrato de arrendamento a Cunha Ribeiro, mas na prática nunca pagou qualquer valor significativo enquanto lá viveu. Quanto à habitação no Porto, o ex-presidente do INEM adquiriu-a à Convida – mas por valores muito abaixo do mercado.

Nota: notícia corrigida às 13h28.