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Jerónimo de Sousa: PCP não rejeita compromissos “com partidos da burguesia” no “abstrato”

FERNANDO VELUDO / LUSA

O líder comunista, em entrevista ao “Público” esta sexta-feira, diz que o apoio ao Governo de António Costa pode gerar alguma “confusão e ilusões”, mas o PCP, na sua essência, continua igual

A “matriz” do Partido Comunista não mudou, apesar do entendimento com o PS, garante Jerónimo de Sousa, líder do PCP, em entrevista ao “Público” esta sexta-feira. O apoio ao Governo de António Costa pode gerar alguma “confusão e ilusões”, mas o PCP, na sua essência, continua igual, defende, numa antevisão ao XX Congresso do partido que começa esta sexta-feira.

Apesar das grandes diferenças ideológicas que possa haver entre o PS e o PCP, Jerónimo de Sousa sublinhou que “não se rejeitam no abstrato” compromissos com “partidos da burguesia”, ao falar do acordo estabelecido com PS e Bloco de Esquerda para a solução governativa.

Isto porque esse compromisso significou “criar melhores condições para os trabalhadores e para o nosso povo, então o PCP assumiu esse nível de compromisso que naturalmente não amarra em relação à nossa independência, à nossa autonomia. Porque podíamos naturalmente ter a tese: não, o PS que se desenrasque, PSD e CDS façam lá governo se quiserem, nós pomo-nos de fora. Obviamente, levaria à tal posição de quanto pior, melhor, que nós não acreditamos”, justificou.

“Não seria bom se não surgissem críticas”

Jerónimo de Sousa não espera que o XX Congresso do PCP seja só um passeio no parque: vai haver críticas. “É bom que surjam. Porque, não somos perfeitos nem criamos aqui uma situação intocável. Então não existem razões de descontentamento perante insuficiências, dificuldades? E se se expressarem no Congresso eu acho que não vem mal ao mundo”, disse.

Segundo o líder comunista, o PCP continua a acreditar na “revolução socialista”, mas esta “não tem uma solução única, nem um modelo único”, disse. Esta “revolução” não exclui também a democracia, sublinhou. “Nós hoje defendemos em termos programáticos uma política patriótica e de esquerda e um governo capaz de a concretizar, uma democracia avançada como outra etapa”, disse.