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Portugal aceita refugiados e recusa imigrantes

DIMITAR DILKOFF/ Getty Images

Portugal é o país que revela maior abertura ao acolhimento de refugiados, mas é um dos que mais se opõe à imigração, revela um estudo europeu que envolveu 18 países e que vai ser apresentado esta quarta-feira no encontro “Europa, Migrações e Identidades”

Os refugiados e os imigrantes são vistos de forma muito diferente pelos portugueses, diz um estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que vai ser apresentado nesta quarta-feira no encontro “Europa, Migrações e Identidades”, em Lisboa. Se Portugal fez caminho, tal como a maioria dos países europeus, para estar recetivo a receber cada vez mais refugiados nos últimos anos, o mesmo não se pode dizer quanto a receber imigrantes económicos. Juntamente com a Hungria e a República Checa, Portugal está entre os três países europeus que mais se opõem a receber imigrantes, revela o “Público”.

Portugal está também ao lado da Polónia, República Checa, Hungria e Espanha, nos países que manifestam uma maior resistência a abrir as fronteiras a muçulmanos do que a cidadãos de países pobres não europeus ou de grupos étnicos diferentes.

Já no sentido oposto, os portugueses são dos que defendem uma maior flexibilidade aos critérios de entrada de refugiados. “Os refugiados estão protegidos pela onda de simpatia, de empatia, pelas imagens que todos vemos na televisão. Os refugiados não são percecionados como uma ameaça, ao contrário dos restantes imigrantes. Há de facto um sentimento de piedade que os protege destas atitudes de oposição”, explicou Alice Ramos, socióloga doutorada e investigadora do programa Atitudes Sociais dos Portugueses do ICS-UL, ao matutino.

A questão colocada pelo estudo – que foi feito em 20 países em simultâneo era: “Em que medida o Governo deve ser mais generoso a avaliar os pedidos de refugiados?”. Este inquérito, que foi feito pela primeira vez há 12 anos, mostra que “a tendência, na maioria dos países, vai no sentido da aceitação dos refugiados”. Porém, países como a Holanda, a Bélgica, a Hungria e a República Checa, “que já manifestavam em 2002 e 2003 maior rejeição do que abertura, mantêm essa posição”, lê-se na análise dos dados da autoria de Alice Ramos, Ana Louceiro e João Graça.