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Alerta para dezembro. Falta de médicos pode provocar rutura nas Urgências

paulo vaz henriques

Várias empresas de prestação de serviços estão a enviar anúncios a pedir médicos de várias especialidades para Urgências e serviços para vários dias, incluindo o Natal e a passagem de ano

Quem é que quer trabalhar durante o Natal e a passagem de ano? Todos os anos esta história repete-se e muitos hospitais públicos não estão a conseguir ter médicos suficientes para completar as escalas de dezembro, alerta a Ordem dos Médicos, e por isso estão a recorrer a empresas de subcontratação – mas mesmo estas não têm profissionais suficientes disponíveis. Caso o problema não seja resolvido, o risco de rutura das Urgências aumenta, lembra o “Diário de Notícias” esta quarta-feira.

“As escalas estão vazias. Já recebi um email de um colega de um hospital a relatar que a escala está cheia de faltas em dezembro. E muitas das empresas não têm capacidade para colocar médicos. A maioria dos hospitais vai ter problemas em fazer as escalas das Urgências. Só espero que não caiam na tentação ilegal de colocar no lugar de um especialista médicos em formação", diz Carlos Cortes, presidente da secção Centro da Ordem dos Médicos, cotado pelo “DN”.

Por norma, dezembro é o mês com maior procura das Urgências por causa da gripe e doenças respiratórias associadas, mas é também aquele em que as urgências tendem a estar mais debilitadas ao nível pessoal.

Segundo o matutino, várias empresas de prestação de serviços estão a enviar anúncios a pedir médicos de várias especialidades para urgências e serviços para vários dias, incluindo Natal e Ano Novo. Por exemplo, para o hospital de Torres Vedras anunciam a disponibilidade em vários horários para 20 dias de dezembro, entre os quais 24, 25, 30 e 31. Também Vila Franca de Xira tem turnos abertos em seis dias nesta área.

“Há hospitais em que a situação é de rutura. No Norte do país não temos radiologia a partir da meia-noite em presença. Dermatologia, anestesiologia, radiologia e medicina interna são especialidades em falta em alguns serviços. A urgência é um reflexo disso mesmo. Os hospitais estão com muita dificuldade em organizar escalas e assegurar as Urgências com o número de médicos que as equipas devem ter. Há hospitais que não conseguem ter a Urgência a funcionar se não contratarem empresas”, explica Miguel Guimarães, presidente da região Norte da Ordem dos Médicos, ao “DN”.