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Funerárias sob suspeita por pagamento de comissões a agentes da PSP

Rui Duarte Silva

A Procuradoria-Geral da República confirmou ao “Público” que foi aberto um inquérito e que na qualidade de testemunhas já foram ouvidos representantes da Polícia e das funerárias. Até ao momento, ainda não foram constituídos arguidos

O Ministério Público está a investigar o pagamento de comissões a agentes da PSP por parte de funerárias, devido a suspeitas de que estes tenham recebido dinheiro para aconselharem determinadas agências a famílias que perderam entes, conta o “Público” esta segunda-feira.

Segundo o matutino, as primeiras denúncias públicas sobre o caso surgiram no site TugaLeaks. Entretanto, a Procuradoria-Geral da República confirmou ao “Público” que foi aberto um inquérito – na qualidade de testemunhas, já foram ouvidos representantes da PSP e também das funerárias. Até ao momento, ainda não foram constituídos arguidos.

“Há agentes que recebem 400 a 600 euros por defunto”, disse ao matutino um agente conhecedor da situação. O pagamento de comissões terá acontecido em mortes ocorridas nas zonas de Almada e do Laranjeiro.

De acordo com o site da PGR, após a morte de um familiar não é preciso chamar as autoridades policiais nem sequer acionar o Ministério Público: basta chamar o médico que acompanhava o doente, que poderá atestar o óbito ocorrido por causas expectáveis. Porém, muitas famílias quando confrontadas com a morte de um ente próximo ligam para o Instituto Nacional de Emergência Médica ou chamam a polícia.

“Cabe à PSP ou à GNR fazer uma triagem, decidir se chama ou não o Ministério Público, apesar de os agentes não terem preparação para isso”, diz Carlos Almeida, presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas, citado pelo “Público”.

O aconselhamento por parte dos agentes de determinada empresa passará pela garantia de que aquela “é mais rápida” a prestar o serviço. “Às vezes, favorecem determinada funerária sem receberem qualquer contrapartida, só por causa da celeridade, para não ficarem tanto tempo à espera com o cadáver”, explicou ainda Carlos Almeida.