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Fernando Medina: PS, BE e PCP “conseguiram mostrar que aquilo que Passos dizia que era impossível é possível”

Tiago Miranda

A solução governativa proporcionada por António Costa, ao conseguir resultados, criou “laços de confiança que não existiam”, diz Fernando Medina, presidente da câmara municipal de Lisboa, em entrevista ao “Público” esta segunda-feira. Estes laços devem ser “reforçados no futuro”, sublinhou

O PS, BE e PCP “conseguiram mostrar que aquilo que Passos Coelho dizia que era impossível é possível e foi feito com uma grande serenidade”, disse Fernando Medina, presidente da câmara municipal de Lisboa, em entrevista ao “Público” esta segunda-feira. A solução governativa proporcionada por António Costa, ao conseguir resultados, criou “laços de confiança que não existiam”. “Acho que têm de ser reforçados no futuro”, sublinhou.

Ainda assim, Fernando Medina não se compromete com uma opinião se o PS tiver uma maioria absoluta no futuro, se deve ou não chamar PCP e BE para governar. “Estamos ainda muito longe de legislativas. Estes três partidos entraram numa dinâmica de cooperação. Estiveram durante muitos anos numa dinâmica de rivalidade e de uma certa competição. Esta solução traduz uma realidade nova, de acentuar os elementos de convergência e cooperação. O país reconhece isso como positivo. É uma obrigação do PS, e gostava de ver nos outros partidos um reforçar desses laços”, disse o autarca lisboeta.

De acordo com uma sondagem da universidade Católica, publicada no “Diário de Notícias” no domingo, o PS reúne, neste momento, 43% das intenções de voto dos portugueses, ficando mesmo à beira da maioria absoluta, e o PSD está nos 30%, um mínimo histórico. Mérito dos socialistas, mas também do Bloco de Esquerda e do PCP, defende Fernando Medina. Passado um ano de terem apoiarem a atual solução governativa, “conseguiram, a seu crédito, a descrispação do país e a normalização da vida pública. A intranquilidade, o negativismo permanente e o confronto desapareceram”, disse.

Lisboa:“As principais obras estão a aproximar-se do fim”

Muitos lisboetas queixam-se de a capital estar transformada num estaleiro: há obras em todo o lado. A esta crítica, Fernando Medina diz não ser capaz de escapar, pois faz parte do “cargo”. “Estamos a fazer várias obras, várias intervenções e tenho uma boa notícia para dar: as principais obras estão a aproximar-se do seu fim. Já estamos para lá da metade do prazo de conclusão das obras”, disse.

Contudo, fez questão de revelar que está para breve a conclusão de muitas obras no eixo central da cidade. “Avenida da República, Saldanha e Fontes Pereira de Melo, contamos fechá-la em janeiro. A frente ribeirinha estará concluída no início do segundo trimestre de 2017, havendo uma normalização da circulação viária antes disso, já no mês de janeiro. O Cais do Sodré terminará em janeiro, a Rua de Alfândega já terá terminado por essa altura e ficaremos depois confinados à parte final da obra que é a conclusão do parque de estacionamento do Campo das Cebolas”, disse.

“Quer a dívida histórica, quer as contingências associadas à gestão da Carris correrão por conta do Estado”

A um ano das autárquicas, Medina nega que a entrega da Carris à câmara de Lisboa tenha sido uma prenda do Governo ou que a empresa possa por em causa a saúde financeira do município. “Chegámos a ter negociações muito avançadas no anterior Governo. Só não foram concluídas por uma opção de natureza estritamente ideológica, em particular do primeiro-ministro à época. Ele entendia que as câmaras não tinham vocação para gerir sistemas de transportes e que teriam de ser privados”, justificou.

Se tudo correr conforme o previsto, a Carris vai custar à câmara de Lisboa 15 milhões de euros por ano, o mesmo que o Estado gastou em 2016, diz Medina. Ainda assim, este valor de referência poderá aumentar devido a outras fontes de receita que a própria Carris irá desenvolver, “como a negociação da publicidade dos meios, cujos contratos estão a terminar”, e com o acesso a “fundos comunitários para o investimento na renovação da frota”.

Em nenhum momento as finanças da câmara de Lisboa estarão em causa. “As finanças da câmara têm a solidez e a robustez para esta aposta. Teremos obviamente de ir fazendo escolhas do ponto de vista da gestão dos orçamentos, mas não tenho dúvida de que esta é uma área estratégica em que temos de apostar”, explicou.

Quanto a eventuais despesas relacionadas com os swaps, Fernando Medina garantiu que que “quer a dívida histórica,
quer as contingências associadas à gestão da empresa até à câmara a assumir correrão por conta do Estado”.