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Cerca de 30% da população portuguesa sofre de ansiedade ou depressão

ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

De acordo com um estudo do Lisbon Institute of Global Mental Health, o número de portugueses a sofrer de doenças mentais entre 2008 e 2015 aumentou mais de 10%. Parte da culpa será da crise financeira

No espaço de sete anos – os anos da crise financeira –, o número de portugueses a sofrer de doenças mentais aumentou mais de 10%. Se em 2008, a prevalência de doenças como a ansiedade crónica e a depressão na população era de 19,8%, em 2015 esse valor subiu para os 31,2%, avança o “Público” esta sexta-feira.

Estes valores são referentes a um estudo do Lisbon Institute of Global Mental Health, que será apresentado esta sexta-feira, em Lisboa. “Confirma-se que, de facto, os determinantes económicos e financeiros têm uma influência muito grande na saúde mental das pessoas”, disse José Caldas de Almeida, coordenador do estudo, ao “Público”.

Para o especialista, a relação entre a crise e a degradação da saúde mental não é “surpreendente”. “Nós já tínhamos em 2008 uma prevalência de doenças mentais bastante mais elevada do que a média europeia e, portanto, esperaríamos que a margem de crescimento não fosse muito grande. Por outro lado, medimos a prevalência só agora em 2015, numa altura em que vários aspetos da crise já estavam a ser ultrapassados e em que o pior da crise já deveria estar superado”, explicou o especialista.

Entre 2008 e 2015, o número de casos de perturbação mental grave aumentou de 1,8% para 6,8%; os problemas ligeiros passaram de 13,6% para 16,8% e os problemas moderados aumentaram também de 4,4% para 7,6%.

Outro dos dados que o estudo põe em evidência a forma como pessoas com dificuldade em cumprir o pagamento dos créditos revelaram perturbações com mais frequência. Mais de 40% dos inquiridos, de um total de 991 casos, referiram uma descida de rendimentos desde 2008. Cerca de metade perdeu rendimentos devido ao corte de salários e pensões, 14% por desemprego, 6% por mudança de emprego e 5% porque se reformaram.