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António Costa: BE, PCP, Verdes e PS não tiveram de “engolir sapos” para estarem lado a lado

Nuno Botelho

Wolfgang Schauble, ministro das Finanças alemão, é “uma andorinha que não faz a primavera. E que, felizmente, não marca o tom da relação que temos com as instituições europeias”, diz António Costa, em entrevista à revista “Visão” esta quinta-feira

Passado um ano de ter chegado ao poder, o primeiro-ministro nega que tenha havido tensões entre o PS, BE, PCP e Verdes durante este período e defende que cada um dos partidos pode preservar a sua identidade com a atual solução governativa. “O PCP não teve de passar a ser adepto do euro, nem o Bloco teve de passar a ser adepto do Tratado Orçamental, nem o PS teve de deixar de ser o campeão da integração europeia… Nenhum de nós tem de engolir sapos”, diz António Costa à “Visão”, numa entrevista publicada esta quinta-feira.

Houve escolhas a ser feitas, sim, – por exemplo, na devolução de rendimentos – mas nenhuma que tenha posto em causa o apoio parlamentar dos outros partidos da esquerda. Mais: Costa nega que o sucesso e a manutenção do apoio do BE, do PCP e dos Verdes ao seu Governo estejam fundados nos falhanços da oposição liderada por Passos Coelho ou por medo deste “papão”. “Estamos aqui para resolver os problemas do país, não os da oposição”, afirma.

Apesar de assumir que a início, quando tomou o controlo do país, existia alguma “intoxicação” no pensamento europeu sobre Portugal, o primeiro-ministro diz que nunca sentiu “hostilidade” por parte das instituições europeias – nem da parte de Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, nem de Martin Schultz, presidente do Parlamento Europeu. “Na Europa, as relações pessoais são importantes. Mas o decisivo são os resultados”, explica.

Quanto às críticas sucessivas de Wolfgang Schauble, ministro das Finanças alemão, o primeiro-ministro é categórico (e até humorístico). “Uma andorinha que não faz a primavera. E que, felizmente, não marca o tom da relação que temos com as instituições europeias”, diz.

Um 2017 sem a novela dos planos B, prevê Costa

Bruxelas já deu o seu “ok” ao Orçamento de Estado para 2017, por isso António Costa espera que a novela dos planos B não se repita. Isto porque “passámos o ano todo a ouvir falar do plano B e a União Europeia a defender que eram precisas medidas adicionais”, explica o primeiro-ministro. Afinal, não foi necessário nenhum plano B: “Desta vez, a própria Comissão Europeia disse que os riscos são mínimos e não nos pediu, ao contrário do que fez no ano passado, qualquer medida extraordinária”, responde.

Ainda na mesma entrevista à “Visão”, Costa fala sobre a situação da Caixa Geral de Depósitos e nega que tenha sido feito qualquer acordo com António Domingues antes deste ter aceite liderar a instituição. “O acordo com a administração da Caixa é o que está transposto para a lei que foi aprovada”, diz.