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Ex-diretor do SEF facilitou amigos do ex-ministro Miguel Macedo para salvar o cargo e o serviço

Manuel Palos dirigia o SEF desde 2005 e vai entrar na história pelas piores razões: é o primeiro diretor de uma polícia a ser preso


Nuno Botelho

Segundo o relatório de investigação da Inspeção-Geral da Administração Interna, “jamais” Manuel Palos “recebeu qualquer quantia monetária” para facilitar o acesso a vistos gold. O IGAI chega mesmo a descrever a sua dedicação ao SEF como “brilhante”

Passados dois anos, há novidades na operação que investiga a concessão dos vistos gold – a Operação Labirinto. Miguel Palos, ex-diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), terá facilitado e acelerado processos a amigos do então ministro da Administração Interna Miguel Macedo, apenas para agradar ao governante e travar a extinção do SEF, avança o “Diário de Notícias” esta quarta-feira.

Esta é uma das conclusões do relatório do Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) preparado para o julgamento, que está marcado para janeiro, a que o matutino teve acesso. No mesmo documento, a dedicação de Manuel Palos ao SEF é descrita como “brilhante”. Ainda assim, o IGAI, tendo em conta a sua conduta, acusa-o de ter violado vários deveres profissionais e propõe a sua suspensão por 150 dias. “O arguido era pessoa extremamente preocupada com o serviço que dirigia e com as suas funções, tendo desempenhado de forma brilhante o cargo de diretor nacional”, lê-se no relatório.

O ex-diretor do SEF é um dos 17 arguidos envolvidos na Operação Labirinto. Miguel Macedo, que se demitiu por causa deste caso, e António Figueiredo, ex-diretor do Instituto de Registos e Notariado, e o empresário Jaime Gomes são outros dos nomes referenciados e conhecidos na praça pública.

Segundo o “DN”, os inspetores do IGAI, na preparação do relatório, sustentaram grande parte das suas avaliações na informação que já estava no inquérito-crime e tinha sido compilada pelo Ministério Público.

A investigação garante ainda que “jamais” Manuel Palos “recebeu qualquer quantia monetária”, nem ficou com as duas garrafas de vinho Pera Manca que lhe tinham sido oferecidas, como retribuição dos alegados favores.

“A mera possibilidade da extinção do SEF era para o arguido, neste quadro afetivo-funcional, uma preocupação”, pois “podia ser extinto o serviço em que pusera todo o seu empenho pessoal e profissional e em prol do qual prejudicara a sua vida pessoal e familiar”, revela o relatório.