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Cristas defende “reflexão” e “contenção” de fenómenos populistas à esquerda e à direita

Luís Barra

É função dos políticos “explicar, sempre”, diz a líder do CDS num texto de opinião no “Público”. Quando os políticos falham nesse ponto, abre-se uma brecha para movimentos populistas

Será que Donald Trump foi a primeira peça de um dominó populista ao nível mundial? Este é um dos medos de Assunção Cristas. Com os resultados das eleições americanas ainda debaixo de olho, a presidente do CDS, num texto de opinião publicado esta terça-feira no “Público”, defende que este deve ser um momento de “reflexão” e contenção deste fenómeno que tanto tem origens de “direita” como de “esquerda”.

“Mais do que saber como vai se vai orientar a nova administração americana, quanto do prometido nos exageros da retórica eleitoral, que a todos arrepiou, vai ou não ser cumprido, interessa-me perceber como nos podemos inventar, permanecendo fiéis à nossa matriz, àquilo em que acreditamos”, escreve a líder centrista.

Para Cristas, as principiais causas para a adesão a um movimento populista são o sentimento de “abandono” e “esquecimento” pela política, sociedade e economia – o que se pode extrapolar para Portugal, mas também para outros países ao nível mundial. “Ao radicalismo do discurso populista temos de saber contrapor o discurso radical do amor”, defende.

Ainda no mesmo texto, Assunção Cristas alerta para os problemas que a comunicação ao nível digital criou na sociedade contemporânea. “A facilidade com que no mundo digital se exprimem opiniões, se denunciam situações, se revelam problemas, leva talvez a crer que com a mesma rapidez é possível ter respostas para questões muitíssimo complexas e muitas vezes de solução a vários níveis”, explica.

É, então, função dos políticos “explicar, sempre”. Quando os políticos falham nesse ponto, abre-se uma brecha para os populismos. “O problema é quando nós, políticos, não conseguimos explicar. Porque não temos tempo, porque não sabemos, porque não nos é conveniente. E esta opacidade abre espaço para discursos populistas radicais”, justifica.

Assunção Cristas nota ainda que talvez haja algo a aprender com a forma como a comunicação destes movimentos é feita. “A forma é a ligação direta às pessoas e aos seus problemas quotidianos”, diz.