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“É muito difícil repetir este acordo com o PS”, diz Jerónimo de Sousa

marcos borga

Em entrevista ao jornal “i” esta sexta-feira, o líder do PCP revela que vê com muita dificuldade outra “geringonça” no futuro. Contudo, não se arrepende da decisão de ter apoiado o PS nesta solução governativa

A título excecional, uma situação sem antecedentes ou comparação. É assim que Jerónimo de Sousa, líder do PCP, descreve, mais uma vez, o acordo com o PS para este poder governar, em entrevista ao jornal “i” esta sexta-feira. Seria, então, possível mais uma geringonça, um Governo do PS com apoio do PCP, no futuro? “Nestes moldes, é muito difícil repetir este acordo. Houve uma conjuntura concreta”, disse Jerónimo de Sousa.

Quando o Governo do PS está prestes a aprovar o segundo Orçamento de Estado com o apoio do PCP, Verdes e Bloco de Esquerda, o líder comunista diz ter “consciência de que o caminho se vai estreitando”, que há cada vez menos pontos de contacto a que esta solução governativa possa dar resposta. “Aquilo que é melhor para os trabalhadores e para o povo pode não ser o melhor para o PS”, disse.

Depois, há ainda as exigências de Bruxelas para com o Governo. Aí o PS terá de “impor”, caso contrário é expetável que possam surgir tensões para com o PCP. “Os problemas estruturais precisam de respostas e não vemos audácia nem determinação do governo”, assume Jerónimo de Sousa.

Ainda assim, o líder do PCP rejeita qualquer arrependimento pelo caminho que tomado em conjunto com o PS. “Nós tivemos aqui um papel importantíssimo, mas com uma grande consciência que o PS manteria o seu programa”. Havia um “inimigo” em comum: o afastamento do PSD do governo “permitia dar respostas urgentes no plano social”, justificou Jerónimo de Sousa.

Mais: todo o mérito da solução governativa encontrada pelo PS não se pode atribuir só a António Costa. “Na noite das eleições notou-se uma grande hesitação por parte do PS. Não havia ali muito alento”, disse.

Quanto ao Bloco de Esquerda, a outra força política que tornou o Governo do PS possível, Jerónimo deixa algumas críticas. “O Bloco de Esquerda procura desvalorizar o trabalho do PCP. Achamos isso criticável. É uma situação de desconforto”, disse, sublinhando também que o BE é também um partido “muito inteligente” na comunicação.