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Faria de Oliveira: venda do Novo Banco será um “problema solucionado” até final do ano

Alberto Frias

Administradores da Caixa Geral de Depósitos devem “adaptar-se aos termos da lei”, diz o presidente da Associação Portuguesa de Bancos

Até ao final de 2016, é muito provável que o Novo Banco deixe de ser um problema nas mãos do Banco de Portugal. “Tenho a convicção de que até ao final do ano poderemos ter notícias no sentido de ver este problema [o Novo Banco] solucionado, pelo menos uma negociação que permita chegar a um resultado positivo”, diz Fernando Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença esta quinta-feira.

Faria de Oliveira revela ainda que a Associação Portuguesa de Bancos (APB) “não foi chamada” ao grupo de trabalho para criar o “banco mau”. A APB integra, no entanto, outro grupo de trabalho que procura encontrar soluções para o problema do crédito malparado na banca e, ainda este ano, devem sair medidas concretas neste domínio. É um grupo de trabalho que "tem muito a ver propostas que a APB fez ao Governo para acelerar a resolução de restrições de natureza legal, judicial e fiscal", precisa.

O presidente da APB salienta que este "não é de todo um problema exclusivo de Portugal". "O conjunto da União Europeia tem neste momento mais de um trilião de euros de crédito mal parado. Portugal terá cerca de 18 a 20 mil milhões, o que corresponde sensivelmente à nossa dimensão no conjunto da UE, afirma.

“Ruído” sobre a Caixa é muito negativo para setor bancário

Para o presidente da Associação Portuguesa de Bancos é urgente resolver o impasse criado na Caixa Geral de Depósitos. “Todo este ruído acerca da CGD é extremamente negativo. Para além do seu programa de recapitalização, a CGD precisa de estabilidade e precisa de entrar em pleno funcionamento. E este ruído ensurdecedor é profundamente negativo. É tempo de acabar com ele. É tempo de se decidir em definitivo tudo o que eventualmente está pendente. É uma preocupação de todo o sistema e é chegada a hora de pôr um ponto final a todas estas questões”, disse.

Faria de Oliveira defende que a lei aponta no sentido de que as declarações têm de ser entregues e que os administradores da Caixa, independentemente dos acordos que tenham feito com o Governo quando foram convidados. "Quem foi convidado em certas circunstâncias, deve adaptar-se aos termos da lei", disse.

“Hoje em dia não há nenhuma dificuldade em conceder crédito às empresas”

No que se refere ao crédito da banca às empresas, Faria de Oliveira reconhece que houve um período "mais difícil", com a desalavancagem da banca, a "fortíssima recessão em que o Produto Interno Bruto caiu 7,3% em três anos", o "aumento brutal do incumprimento" por parte das empresas e, depois, a entrada em vigor da União Bancária que trouxe o reforço dos mecanismos de avaliação de risco. Mas considera que o quadro atual é diferente e os bancos podem voltar a abrir portas às empresas, desde que estas estejam em condições de cumprir os critérios de risco de crédito. Já “há liquidez”, diz.

“Os bancos têm neste momento conforto total em termos de liquidez, excesso de liquidez. E faz parte da sua atividade a concessão de crédito como a fonte principal dos seus proveitos. Portanto, para melhorar a rentabilidade, os bancos têm mesmo de conceder crédito e não há nenhuma dificuldade hoje em dia em conceder crédito às empresas que tenham condições de acesso ao crédito, que passem o crivo de risco de crédito”, disse.