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Relatório sobre morte de bombeiros denuncia desobediências “não toleráveis”

LUÍS FORRA / Lusa

Um relatório sobre as mortes de bombeiros em 2013, realizado após os grandes incêndios na serra do Caramulo e até agora mantido em segredo, é bastante crítico em relação aos próprios bombeiros. Formação deficiente e falhas de comunicação são outras das falhas apontadas

A morte de bombeiros em incêndios nos últimos anos tem sido um tema muitas vezes discutido na praça pública. De acordo com o relatório "Os grandes incêndios florestais e os acidentes mortais ocorridos em 2013", encomendado a especialistas da Universidade Coimbra, e até agora mantido em segredo, parte das culpas nos acidentes que resultaram em mortes deve ser imputada aos próprios, revela o “Jornal de Notícias” esta quarta-feira.

O relatório denuncia lacunas na formação dos bombeiros, sendo estes incapazes de avaliar como o fogo iria evoluir consoante a movimentação do vento, e aponta desobediências “não toleráveis” nos teatros de operação. Há também registo de falta de coesão e de comunicação nas equipas e a não utilização de equipamentos de proteção no combate aos fogos.

O documento – que esteve na posse do anterior e atual Governo – foi preparado após os grandes incêndios na serra do Caramulo, no verão de há três anos, e ficou pronto em dezembro de 2013. Contudo, devido ao seu carácter crítico, nunca foi divulgado.

Ao longo de 80 páginas, os especialistas do departamento de Engenheira Mecânica da Universidade de Coimbra apontam uma série de erros que poderiam ter sido evitados. Segundo estes, nos acidentes em que morreram bombeiros a 29 de agosto de 2013, num reacendimento em Tondela, houve “uma clara subestimação das condições de propagação que o fogo podia adquirir” por parte dos bombeiros.

Os especialistas concluíram que a corporação dos dois bombeiros que perderam a vida nesse dia não obedeceu a uma ordem de retirada, apesar do comandante ter gritado três vezes, via rádio, que abandonassem o local.