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Rui Rio assume que “poderá” desafiar a liderança do PSD

JOS\303\211 COELHO

Rui Rio afirma ao “DN” que tem sido pressionado “por militantes e não militantes” do partido a desafiar a liderança de Passos Coelho. A entrevista é publicada semana e meia depois de o Expresso ter noticiado o “regresso” de Rio ao tema da eventual sucessão de Passos. Eleições do PSD estão marcadas para fevereiro ou março de 2018

Se o PSD não subir nas sondagens e ganhar mais voz no Parlamento até 2018, é expectável que apareça uma alternativa à liderança de Pedro Passos Coelho, assume Rui Rio, ex-autarca social-democrata do Porto, em entrevista ao “Diário de Notícias” esta quinta-feira. “Poderá” inclusive ser ele próprio, admite.

Rui Rio diz que na hora de tomar a decisão vão estar muitos fatores em cima da mesa. “Perceber se os apoios que eu possa ter são convictos e se acreditam mesmo em mim. Se as outras alternativas são suficientemente credíveis e robustas para servirem o PSD e o país. Se há espaço para implementar o fundamental das minhas ideias e da minha maneira de ser, que como sabe tendem a ser um pouco disruptivas relativamente à política na sua forma mais tradicional. Se sinto condições para gerar uma dinâmica de mudança e de desenvolvimento em Portugal. E, até, se tenho os inimigos políticos corretos”, explica.

Com as eleições internas do PSD marcadas para fevereiro ou março de 2018 – daqui a quase um ano e meio – Rui Rio revela que tem sido pressionado “por militantes e não militantes” do partido a desafiar Passos. Mesmo assim, recusa que já esteja em campanha e a reunir apoios.

Recorde-se que o Expresso noticiou há uma semana e meia que Rio está em contactos para reunir apoios para desafiar a liderança do partido social-democrata, informação que o Expresso mantém. Negando, em declarações ao “DN”, que esteja “no terreno a juntar apoios”, o ex-autarca confirma a sua disponibilidade.

“No conjunto de 2016 e 2017 há mais impostos”

O Orçamento de Estado para 2017 está pouco direcionado para ao “crescimento económico”, diz Rui Rio. “Por força do nosso brutal endividamento, o motor do crescimento económico tem de ser o investimento e as exportações. A melhoria do consumo privado tem de ser uma consequência disso, e nunca o contrário. Os temas em negociação entre o governo e a extrema-esquerda versam sempre matérias que são, por natureza, o contrário disto”, acusa.

Para o social-democrata, a forma de taxação de impostos encontrada pelo Governo de António Costa não é também a mais justa. “No conjunto de 2016 e 2017 há mais impostos. Esse foi o preço a pagar para que a devolução de rendimentos pudesse ter sido acelerada relativamente à fraca riqueza que temos sido capazes de produzir. Pessoalmente, não subscrevo, de forma fundamentalista, a lógica de que os impostos diretos são sempre socialmente muito mais justos do que os indiretos. Isso é verdade até certo ponto, mas por diversas razões não se pode levar esse raciocínio até ao infinito”, diz.

Quanto à nova taxa do IMI para grandes patrimónios – medida que chama de clássica da “nossa extrema-esquerda” –, Rio vê como uma fábula ideológica, uma medida coerente com o pensamento: “Quem se endivida é pobre e quem poupa é rico”.

“A responsabilidade é de quem se comprometeu com aquilo que não podia”

Segundo Rui Rio, era possível ter encontrada uma solução mais económica – em salários – para a equipa de gestão da Caixa Geral de Depósitos. O salário de António Domingues, presidente da Caixa desde agosto, que ronda o meio milhão de euros por ano é “de mais” para um país como Portugal. “Tenho consciência de que era possível conseguir pessoas igualmente capazes por salários mais normais. Há gente ‘escondida’ de enorme valor”, diz.

Rio adianta até que percebe o porque de Domingues não querer ver a sua declaração de rendimentos na praça pública. “O que ele rejeita é ver a sua declaração a passear pelas páginas da comunicação social para alimentar a venda de jornais. Se, ab initio, pôs a condição de não haver devassa pública do seu património e se ela lhe foi garantida, compreendo o seu desconforto”, diz.

Contudo, a lei não o permite – e o Tribunal Constitucional já pediu à equipa de administração da Caixa para entregarem essas declarações: a revisão feita pelo Governo ao Estatuto do Gestor Público de nada servirá. A responsabilidade? “Se a lei efetivamente não o permite, é óbvio que a responsabilidade está do lado do governo. Do lado de quem se comprometeu com o que não podia”, sentencia Rio.