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Passos Coelho: “Eu não era o PM da austeridade, mas o da recuperação económica”

Marcos Borga

"Ninguém pode acreditar com sinceridade que esteja interessado que o país fique no atoleiro para que eu seja necessário”, afirma em entrevista à Renascença Passos Coelho

Pedro Passos Coelho não concorda com o rumo que António Costa deu ao país, com o Orçamento de Estado para 2017, mas também não quer regressar ao poder a qualquer custo. “Ninguém pode acreditar com sinceridade que eu, que lutei tanto para que o país saísse do atoleiro em que estava, agora esteja interessado em que o país fique no atoleiro... para que eu seja necessário. A última coisa que quero fazer é ir para o Governo gerir resgates do país, isso seria um absurdo. Eu próprio desejo para mim um futuro melhor do que estar a fazer a política, que já tivemos de fazer no passado, em circunstâncias muito difíceis”, disse o ex-primeiro-ministro social-democrata, em entrevista à “Renascença” esta quinta-feira.

O ex-governante confessa que ambiciona vir a ser primeiro-ministro novamente, mas não num registo económico do país ligado à austeridade. “Não tenho nenhuma fixação pelo lugar, devo dizer. Não é por uma questão de currículo, como deve calcular, porque já fui primeiro-ministro e, portanto, não estou à procura do meu currículo”, disse.

Mais: quando abandonou o poder, Passos Coelho diz que “já não era primeiro-ministro da austeridade, era o da recuperação económica do país” e foi por isso que as pessoas lhe “deram a vitória eleitoral”.

Propostas para o Orçamento de Estado e a reforma da Segurança Social

O PSD é chamado a apresentar propostas que ajudem a retoma e estabilidade económica do país pelo Governo, e é isso que o partido quer fazer diz Passos, mas depois todas são rotuladas como “insustentáveis”, queixa-se o ex-primeiro-ministro.

Um exemplo: a reforma da Segurança Social. “Nós temos um problema de sustentabilidade na Segurança Social, já sabemos que os sistemas providenciais de pensões estão em défice. O Governo há vários anos que transfere dos impostos dinheiro para suportar o aumento de pensões. Não era suposto que isto acontecesse assim, porque estas devem ser pagas com os descontos - as contribuições dos trabalhadores de hoje”, disse.

A realidade é uma coisa, o que o Governo vê é outra coisa

Para o líder do PSD, o Governo de António Costa tem uma leitura da realidade portuguesa enviesada. Costa diz “coisa espantosas como se a realidade não existisse”, acusa. E a economia – em particular o modelo de crescimento escolhido - está a ser muito maltratada. “Estamos a desperdiçar oportunidades que seriam muito importantes para consolidar a estratégia de crescimento do país e colocar Portugal numa posição mais salvaguardada face a crises externas que vão acabar por ocorrer”, disse.

Quando questionado se então se deveria ter prolongado o período de austeridade por mais algum tempo, Passos disse que o próprio Governo acaba por reconhecer tal, “com as alterações que faz e com as guinadas que faz”.

“Há coisas que são mais do mesmo. Por exemplo, substituir carga fiscal dos impostos diretos para os impostos indiretos. Isto prossegue até a um ritmo mais intenso neste orçamento e isso é mau, porque ter carga direta significa tributar as pessoas em função da sua capacidade”, disse.