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Mariana Mortágua: “Não há motivo para Portugal continuar a sacrificar-se para poder impressionar a UE”

Marcos Borga

Para a deputada do BE, a União Europeia – e outras instituições europeias – já mostraram que “não são credíveis, que não estão de boa fé, nem são pessoas de bem”. “Não é possível ter um Orçamento que tenha níveis satisfatórios de investimento público ao mesmo tempo que se cumpre as regras do défice impostas do Bruxelas”, diz em entrevista ao “Jornal de Notícias” esta terça-feira

O Orçamento de Estado para 2017 “não é inimigo do investimento público”, mas também não é um OE de retoma do investimento público. É um Orçamento “progressista” e “insatisfatório”. “Não é possível ter um Orçamento que tenha níveis satisfatórios de investimento público ao mesmo tempo que se cumpre as regras do défice impostas do Bruxelas e que se gasta oito milhões de euros a pagar só juros da dívida pública”, defende Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, em entrevista ao “Jornal de Notícias” esta terça-feira.

Segundo a deputada, para inverter a tendência de crescimento da dívida publica seria preciso um OE que não estivesse espartilhado pelo tratado orçamental. “É preciso reconhecer que o pagamento desses juros [da dívida pública] é um constrangimento ao crescimento do país”, diz.

Mais: a União Europeia – e outras instituições europeias – já mostraram que “não são credíveis, que não estão de boa fé, nem são pessoas de bem”. “Não há motivo para Portugal continuar a sacrificar-se, para poder impressionar um conjunto de instituições que dão borlas à França e Alemanha, porque eles têm poder, e castigam os países mais pequenos”, sublinha.

BE vai propor reversão de privilégios na Caixa

Ainda na mesma entrevista ao “JN”, Mariana Mortágua revela que o Bloco de Esquerda vai propor no Parlamento “reverter” a medida aprovada pelo Governo que fez com que os administradores da Caixa passassem a estar fora dos Estatutos do Gestor Público, deixando também de ter um teto salarial. Esta situação tem também criado muitos constrangimentos no que toca à declaração de rendimentos de António Domingues e dos outros elementos da sua equipa. “O Governo deve ser criticado porque permitiu um salário desta dimensão ao presidente da administração da Caixa”, afirma.

Apesar das críticas ao Governo, a deputada do BE, que ficou conhecida nos últimos dois anos do mandato de Passos Coelho devido à comissão de inquérito ao BES, também deixa avisos à direita no que toca à situação da Caixa. “O PSD tem feito tudo, mas tudo o que está ao seu alcance para complicar e atrasar o processo de recapitalização da Caixa, criou uma comissão de inquérito inconsequente e que não vai ter resultados, por questões de sigilo, e por outro lado há uma vontade de atacar o Governo a qualquer custo”, diz.

Autárquicas. “O Bloco deve apostar nos autarcas que formou”

Mariana Mortágua, presidente da Câmara Municipal de Lisboa? Tem sido uma das possibilidades mais faladas na praça pública, mas a deputada desmente que esteja nos seus planos concorrer à capital nas próximas autárquicas. “Tenho as minhas funções no Parlamento, foi por isso que fui eleita, as exigências das negociações com o PS são muito grandes e parece-me que devam ser levadas muito a sério”, responde.