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Maria Luís candidata a Lisboa? Uma resposta a anunciar “a seu tempo”

Marcos Borga

Questionada sobre a notícia avançada pelo Expresso de que Rui Rio está a reunir apoios para disputar a liderança do PSD, a ex-ministra das Finanças fecha-se em copas. “Não comento essas notícias”, diz, adiantando ainda que não há desunião no partido

Um cenário possível para o futuro: Maria Luís Albuquerque, candidata a presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Será que em 2017 haverá cartazes a anunciar a sua corrida à autarquia da capital? “A seu tempo as decisões relativamente às candidaturas às diversas autarquias serão anunciadas”, diz Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças do Governo de Passos Coelho, em entrevista ao “Público” esta quinta-feira.

Defendendo que não quer criar “ruído” sobre as autárquicas, Maria Luís Albuquerque diz que, neste momento, o mais importante é não desviar “as atenções das matérias mais relevantes em cima da mesa, que são, claramente, o Orçamento e as opções que ele envolve e também as matérias do sistema financeiro.”

Já quando questionada sobre a notícia avançada pelo Expresso no passado sábado de que Rui Rio está a reunir apoios para disputar a liderança do PSD, a ex-ministra fecha-se em copas. “Não comento essas notícias”, diz. E acrescenta: “Não sei se tem acompanhado as reuniões do partido, é que eu não tenho visto nenhuma manifestação de desunião. Mas em concreto não comento nada.”

Ideia de que falta crédito “é pura e simplesmente falsa”

Se o Governo de António Costa deve ou não criar um banco mau não se trata de uma questão de concordar. “Trata-se de saber como é que se faz”, diz Maria Luís ao “Público”. “Os bancos fizeram uma limpeza [do crédito malparado] muito significativa de balanço, Caixa Geral de Depósitos incluída. O que é preciso é mais tempo para continuarem a fazê-lo e a última coisa que os bancos precisam é ter problemas do lado da economia porque isso piora a sua situação. Os bancos precisam de uma economia sólida, com uma taxa de crescimento mais consistente para que posam ter melhores condições para resolver esse problema”, justifica.

A ex-ministra das Finanças nega ainda que a falta de crédito seja o verdadeiro problema da economia. “Não vale a pena fingir que o problema da economia portuguesa é os bancos não terem dinheiro para emprestar. O problema da economia portuguesa é mais profundo do que isso, tem a ver também com a falta de capital das empresas, com a necessidade de ter um ambiente de confiança favorável ao investimento e que atraia investimento estrangeiro. Não temos capacidade nem capital suficiente em Portugal para fazer esse salto sozinho. E essa confiança que é fundamental é que o Governo destruiu logo com as primeiras decisões que tomou e tem continuado a minar ao longo do tempo com as decisões que tem vindo a tomar”, afirma.

OE 2017: PSD vai apostar na descida do IRC e da segurança social

Na discussão do Orçamento de Estado para 2017 – “que tem uma série de matérias profundamente erradas” – o PSD vai participar e fazer propostas. A descida do IRC e a reforma da segurança social serão duas das áreas onde os social-democratas querem apostar no debate, revela Maria Luís Albuquerque. Segundo ela, com uma descida do IRC, por exemplo, “tínhamos conseguido transmitir aos investidores uma mensagem de previsibilidade, consistência, de capacidade do regime fazer acordos de médio prazo”, diz.

Já a reforma da segurança social será um desafio maior. “O Governo começou por dizer que não haveria necessidade de fazer reformas da segurança social, mas agora cria um novo imposto que vai consignar à segurança social e que diz que assegura a sustentabilidade por mais seis anos. O que é preciso fazer é uma reforma da segurança social, não para adiar o problema, mas para o resolver. O PSD mantém essa total disponibilidade”, afirma.

Mas haverá condições políticas para que se possa fazer esse entendimento entre o Governo e o principal partido da oposição? “Se entendemos que o problema é fundamental não devemos deixar de tentar. Evidentemente não se está à espera que ninguém faça cedências naquilo que considera serem os seus princípios fundamentais, isso não seria razoável. Mas haverá formas diferentes, sem violar princípios fundamentais, de alcançar o mesmo resultado”, explica.