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Freitas do Amaral: reformas estruturais só vão ser possíveis “com um bloco central”

Freitas do Amaral: "Creio que nunca vivemos uma situação em que tudo estivesse em causa"

Em entrevista ao “Público” esta quinta-feira, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates confessa que pensou “várias vezes” em ir visitá-lo enquanto este esteve preso em Évora. Não o fez mas pensou nele: “E rezei por ele. Eu sou católico e gosto de rezar pelos doentes, pelos presos e por aqueles que estão em situação de aflição”, diz

“Quer se goste quer não se goste do Governo, é um fator muito positivo” António Costa ter conseguido chegar ao seu segundo Orçamento de Estado, com o apoio do PCP e do BE, diz Diogo Freitas do Amaral, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates, em entrevista ao “Público” esta quinta-feira. Contudo, para ocorrerem as reformas estruturais de que o Estado precisa, “só se viesse a haver um bloco central” – ou seja, com o apoio do PSD –, assume.

“Os partidos que chegam ao Governo engolem muitos sapos. E têm de fazer muitas coisas que sempre disseram que não fariam e têm de deixar de fazer muitas coisas que sempre disseram que fariam”, afirma Freitas do Amaral. Na lógica do ex-governante, BE e PCP não são partidos de engolir sapos.

Há um ano, a solução governativa por António Costa não o deixou convencido da sua viabilidade, tendo então afirmado publicamente que não teria dito que ia votar no PS se soubesse que depois a solução governativa seria a da geringonça. Mesmo assim,Freitas diz que nunca se deixou cair em exageros. “Tinha dúvidas sobre se isto ia correr bem ou não, mas comecei a defender que a partir do momento em que os partidos se juntam no apoio a uma solução, ficam interessados em que essa solução dure”, defende.

Contudo, nem o segundo Orçamento de Estado conseguido por António Costa chega para convencer Freitas do Amaral da viabilidade desta solução governativa a longo prazo. “Se me perguntar se acho que ela vai durar quatro anos, não estou convencido disso. Porque, como se está agora a ver a propósito de questões que um ou dois partidos consideram muito importantes, em qualquer momento pode surgir uma faísca que pegue fogo”, explica.

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros diz ainda que ao não demitir os secretários de Estado que foram ver jogos do Euro 2016 com viagens pagas pela Galp, António Costa não deu “um bom exemplo ético de governação ao país”. E essa opção criou “mossa”.

“Pensei em José Sócrates. E rezei por ele”

Freitas do Amaral, em entrevista ao “Público”, confessa ainda que pensou “várias vezes” em ir visitar José Sócrates enquanto este esteve preso, mas “não havendo uma relação de amizade pessoal entre os dois”, e tendo em conta que o criticou pelo “despesismo que caracterizou os últimos dois anos do Governo” do ex-primeiro-ministro, optou por não ir até Évora. “Mas pensei nele. E rezei por ele. Eu sou católico e gosto de rezar pelos doentes, pelos presos e por aqueles que estão em situação de aflição”, diz.

Nem há arrependimento de Freitas por ter integrado um Governo socialista de José Sócrates: “Primeiro, porque a evolução do meu pensamento e das minhas ideias políticas fez-me ficar mais próximo do PS do que do PSD e do CDS. Mas gostava de recordar aqui uma coisa: é que o eng. Sócrates, em 2005, não era o eng. Sócrates que hoje o país conhece ou julga que conhece. Era uma pessoa de quem ninguém dizia mal”, explica.

O antigo lider do CDS deixa ainda críticas ao andamento do processo Operação Marquês. “Prender-se um antigo primeiro-ministro durante quase um ano, com vista a recolher provas para uma acusação, e depois já passou mais um ano e tal e não há acusação nenhuma, acho que isso é um mau exemplo da justiça portuguesa”, diz.