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“Vouchers” do Benfica. PJ e MP já concluíram que ofertas a árbitros não constituem crime

João Carlos Santos

O caso dos “vouchers” do Benfica estará quase a ser arquivado, segundo o DN de hoje. Mas Dias Ferreira, ex-dirigente do Sporting, constituiu-se como assistente no processo, podendo com isso pedir a abertura da instrução e outras diligências

O caso dos “vouchers” do Benfica está a fazer caminho para ser rapidamente arquivado. Tanto o Ministério Público como a Polícia Judiciária já terão concluído que as ofertas a árbitros feitas pelos encarnados não constituem crime, mas querem percorrer todas as etapas da investigação para apresentarem um resultado final “imaculado”, avança o “Diário de Notícias” esta terça-feira. Esta informação foi confirmada pelo matutino por duas fontes judiciais.

Ainda assim, o caso pode não ficar por aqui. Dias Ferreira, ex-dirigente do Sporting, constituiu-se como assistente no processo, podendo com isso pedir a abertura da instrução e outras diligências. “O objetivo é poder colaborar em assuntos que conheço há muitos anos, do fenómeno da arbitragem. Posso sugerir, fazer perguntas ou que se convoquem determinadas pessoas que eu saiba que podem saber alguma coisa, no fundo auxiliar a instrução tanto quanto possível”, explicou Dias Ferreira, numa entrevista à “Sporting TV”.

Para o advogado e antigo dirigente do Sporting, os árbitros deviam ser ouvidos neste processo. “É uma coisa que merece averiguação. Também é óbvio sugerir que os próprios árbitros sejam ouvidos de uma maneira diferente do que foram no processo disciplinar. Não faz sentido que sejam ouvidos, quase como se se tratasse do preenchimento de um formulário”, justificou.

Esta investigação iniciou-se em outubro de 2015, depois de o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, no programa “Prolongamento”, ter acusado o Benfica de corrupção desportiva. O dirigente disse ter conhecimento de que os encarnados davam “prendas” aos quatro árbitros que compõem as equipas de arbitragem, aos dois delegados da Liga e ao observador dos árbitros em todos os jogos.

Oferecer trinta euros por refeição a cada um dos quatro elementos das equipas de arbitragem, em convites dentro das caixas conhecidas por ‘Kit Eusébio’, eram práticas regulares também nos encontros da equipa A e B do Benfica.

Nas buscas nas instalações da SAD do Benfica, realizadas pelos inspetores da Unidade Nacional contra a Corrupção, pretendeu recolher-se elementos da contabilidade do Benfica que refletissem os gastos com as ofertas. “Toda a informação relevante será canalizada para o processo”, disse ao “DN” fonte ligada à investigação.