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Mortes nos Comandos. Militares estiveram duas horas sem assistência médica

Marcos Borga

O médico destacado para os treinos declarou os doentes como não urgentes e saiu da base pelas 19h, deixando mais de 20 vítimas do calor extremo numa tenda com dois enfermeiros e dois socorristas. Havia outro médico escalado para o 127º curso de Comandos, mas este não foi chamado

Quando o INEM chegou junto de Hugo Abreu e Dylan Silva, os dois militares dos Comandos que faleceram durante os treinos, no dia 4 de setembro, às 21h, o primeiro já estava morto e o segundo em pré-coma, com falência de órgãos face à desidratação extrema, e ambos há duas horas sem assistência médica, revela o “Correio da Manhã” esta terça-feira. Esta é uma das conclusões a que a investigação da Polícia Judiciária Militar em articulação com o DIAP de Lisboa, já chegou.

Segundo o matutino, o médico declarou os doentes como não urgentes, saiu do campo de tiro de Alcochete, pelas 19h e deixou as mais de 20 vítimas do calor extremo que se fez sentir nesse dia 4 de setembro numa tenda, acompanhados por dois enfermeiros e dois socorristas. Havia outro médico escalado para o 127º curso de Comandos, mas este não foi chamado. Sergundo o “CM”, o médico alega que se ausentou para ir preparar o Hospital das Forças Armadas para receber as vítimas.

Por volta das 20h37, os enfermeiros, sem o médico presente, decidiram pedir a intervenção do INEM. Hugo Abreu, 2.º furriel, de 20 anos, que já se sentia mal desde as 15h45, acabara de entrar em paragem cardiorrespiratória e viria a falecer no local.

Quanto a Dylan Silva, foi encontrado pelo INEM em estado crítico e sem assistência médica. Foi levado para o hospital do Barreiro e acabou transferido para o Curry Cabral, onde viria a falecer dias mais tarde, a 10 de setembro.

Ao todo, no dia no dia 4 de setembro 25 militares sentiram-se mal durante os treinos e passaram pela tenda de assistência médica.