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Novo Banco. António Costa assume o controlo do processo de venda

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nuno botelho

Desde que o processo de venda do Novo Banco começou, o Governo tem sido sempre informado da evolução dos contactos estabelecidos pela equipa do Banco de Portugal, liderada por Sérgio Monteiro. António Costa já disse publicamente que quer ter uma palavra a dar

Se formalmente a venda do Novo Banco é da responsabilidade do Banco de Portugal, isso não quer dizer que António Costa vá só assistir ao desenrolar do processo nos próximos meses. Segundo o “Jornal de Negócios” esta sexta-feira, o primeiro-ministro já assumiu publicamente que vai tomar conta da venda e pronunciar-se sobre a escolha do comprador.

Desde que o processo de venda começou, o Governo tem sido sempre informado da evolução dos contactos estabelecidos pela equipa do Banco de Portugal, liderada por Sérgio Monteiro. O normal seria que o Governo só se pronunciasse após o governador do Banco de Portugal apresentar uma proposta.

Mas não é isso que se espera que venha a acontecer. O executivo tem o controlo “não-oficial” do Fundo de Resolução, dado que dois dos três membros da comissão diretiva do dono do Novo Banco são a diretora-geral do Tesouro e o seu número dois. E António Costa já deu pistas que não vai ficar parado a ver.

Ao mesmo tempo que o interesse o banco China Minsheng Financial Holding em comprar mais de 50% do Novo Banco foi formalizado, a Fosun, grupo chinês dono da Fidelidade, está em negociações exclusivas para ficar com até 30% do BCP. Ou seja, a viagem de António Costa à China, nesta última semana, pode não ter sido só diplomática, mas também de negócios.

“Houve passos dados importantes relativamente ao sector financeiro e tenho esperança que novos passos possam vir a ser dados”, disse António Costa em entrevista ao “Diário de Notícias” na quinta-feira.

Ambas as vendas são centrais para o futuro das finanças portuguesas e António Costa quer ter uma palavra a dar. Durante a viagem, o primeiro-ministro recordou também que “o investimento chinês ajudou-nos a recapitalizar os nossos bancos” e tem um papel na “estabilização do nosso sistema financeiro”.