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Costa: fim da sobretaxa pode ocorrer de forma gradual e não logo no início de 2017

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ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O primeiro-ministro descreve a preparação do Orçamento de Estado como um exercício “complexo” e “positivo”. António Costa chega esta manhã da China e segue direto para o Conselho de Ministros onde o documento será aprovado

“Subindo a montanha”, conseguindo acordos. É assim que António Costa, em entrevista ao “Diário de Notícias” desta quinta-feira, descreve a preparação do Orçamento de Estado para 2017. “Todos os exercícios orçamentais são diferentes, são problemas diferentes que se colocam, que têm de se resolver. Neste ano foi mais fácil, desde logo porque as pessoas tinham hábitos de trabalho que há um ano não tinham”, explica.

No dia em que se dará a aprovação do OE2017 em Conselho de Ministros, o primeiro-ministro deixa a garantia de que a sobretaxa do IRS vai mesmo acabar em 2017. Mas essa extinção pode não ocorrer logo no primeiro dia do ano, ao contrário do que tinha sido prometido. “Iremos cumprir, seguramente no próximo ano, o compromisso de eliminar a sobretaxa. Mesmo que esse compromisso não seja integralmente cumprido no dia 1 de janeiro”, revela ao matutino.

Lá por ter estado a muitos quilómetros de distância de Portugal, em visita diplomática à China, António Costa não deixou de acompanhar os trabalhos de conclusão do Orçamento de Estado ou de manter contacto com Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, diz. E descreve mesmo a preparação do documento como um exercício “complexo”: “Quando há maioria, a complexidade fica no interior do Governo, quando não há maioria amplia-se naturalmente aos parceiros, mas é um exercício positivo”, explica.

“Temos boas razões para estar animados com a perspetiva de investimento”

A visita de António Costa à China pode ter sido um ponto de viragem nas relações diplomáticas entre os dois países, dado que há notícias esta quinta-feira de que o Banco de Portugal recebeu uma proposta de compra de mais de 50% do Novo Banco pelo banco China Minseng.

Há “sinais inequívocos de que há vontade de termos agora um novo patamar de relacionamento” entre os dois países, diz o primeiro-ministro, quando questionado sobre os frutos da viagem.

“O facto de o primeiro-ministro ter estado pessoalmente no Fórum em Macau, para a cooperação com os países de língua oficial portuguesa, mostra bem a importância que atribuem a Macau nesta função de ponte com a lusofonia. (…) Na abertura de uma nova ligação aérea, na assinatura de protocolos para a instalação de empresas chinesas na zona industrial e logística de Sines, na vontade que há de fazer um investimento grande em Sines, inserido no grande projeto que a China tem numa rota [marítima]. Acho que isso são sinais inequívocos de que há vontade de termos agora um novo patamar de relacionamento”, justifica.

Portugal precisa que haja mais investimento em 2017 e essa é uma preocupação que António Costa não esquece. “E vai haver com certeza. Nós temos vindo a assistir a um aumento progressivo do investimento”, diz.

António Costa recusa ainda a ideia de que a visita à China estivesse relacionada com a venda do Novo Banco, mas confessa ao “DN” ter sido informado pelo Banco de Portugal de que tinha sido formalizada uma proposta de compra. Contudo, o primeiro-ministro não refere o nome do banco China Minseng.