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Carmona Rodrigues: “Acho que o PSD está a atravessar uma certa crise”

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Nuno Botelho

Com a discussão das autárquicas na ordem do dia, o último autarca apoiado pela direita que esteve na liderança de Lisboa já escolheu quem vai apoiar: Assunção Cristas, líder do CDS e que já anunciou a sua candidatura

“Acho que o PSD está a atravessar uma certa crise. Mesmo na Câmara [de Lisboa] não se veem as posições do PSD nos últimos três anos... As figuras mais antigas estão afastadas... Não sei o que vai no pensamento do PSD”, afirma António Carmona Rodrigues, professor universitário e ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, em entrevista ao “Diário de Notícias” esta segunda-feira.

Com a discussão das autárquicas já em marcha, o último autarca apoiado pela direita que esteve na liderança de Lisboa já escolheu que candidatura vai apoiar: Assunção Cristas, líder do CDS.

“Da Dra. Cristas, com quem estive duas ou três vezes, tenho ideia de ser uma pessoa jovem, corajosa, que fez um trabalho excelente como ministra e de forma muito eficaz, sempre com uma postura muito prática e transparente, com energia. Preenche muito o espaço do centro-direita. Mais valia os partidos dessa área reconhecerem nela uma grande candidata”, explica.

Desde que abandonou a vida de autarca e regressou à universidade, Carmona Rodrigues manteve sempre Lisboa debaixo de olho. “O turismo cresceu, com todas as vantagens para a atividade económica. Mas depois vejo algumas coisas que me chocam: a quantidade de sem-abrigos nas Avenidas Novas, na Baixa...”, aponta.

A ação social na capital continua a passar muito por “levar a sopa aos pobres”, acusa. Faltam iniciativas que tragam mais inclusão, acompanhamento social e um maior desenvolvimento económico que “permita trazer a essas pessoas oportunidades de ocupação, de se fazerem úteis”. “Isso tem faltado – e é uma competência autárquica”, explica.

Carmona Rodrigues assume ainda que as rendas na cidade estão “demasiado altas” e a provocar um afastamento das famílias. “Este movimento de chineses, franceses, brasileiros, é bom - sobretudo para quem vende - e sempre se faz umas obras, mas de repente a habitação no centro está proibitiva para os lisboetas. Não se ponderou até onde se devia ir.”

O ex-autarca de direita diz ainda não ver grandes diferenças entre a gestão de António Costa e a do seu sucessor Fernando Medina. “Há um traço comum: o aumento dos impostos é quase uma obsessão de deitar a mão a tudo. Mas na gestão do Dr. Costa pouco se fez – talvez para poupar dinheiro ou por medo de ser criticado... ou porque, como se diz, já estava mais preocupado com outras coisas. O Dr. Medina tem tido intervenção até de mais, parece que tem excesso de dinheiro. Mas também tem uma equipa que herdou e é natural que haja coisas em que não se reveja”, conclui.