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Banca portuguesa tem €4000 milhões de excesso de liquidez

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Ralph Orlowski/Reuters

A banca portuguesa excesso de liquidez equivalente a 2% do PIB. Valor vai muito além das reservas mínimas exigidas pelo Banco Central Europeu

A banca portuguesa tem 4000 milhões de euros de excesso de liquidez, o equivalente a 2% do PIB. Este valor vai muito além das reservas mínimas exigidas pelo Banco Central Europeu (BCE), noticia o “Diário de Notícias” esta segunda-feira.

O montante em causa poderia ser importante se chegasse à economia real, mas há demasiados riscos, explicou a Associação Portuguesa de Bancos (APB) ao matutino, devido à falta de procura de crédito e grande parte da que existe comportar um risco elevado.

De acordo com os dados fornecidos pelo Banco de Portugal fornecidos ao “DN”, a 29 de julho deste ano o conjunto dos bancos da zona euro tinham 913 mil milhões de dinheiro parado, fundamentalmente constituído por depósitos. Já no início de setembro, o valor disparou para um bilião.

“A existência da liquidez em volume considerável e a política de baixas taxas de juro do BCE fazem que o custo do crédito seja hoje baixo, procurando incentivar o investimento e o consumo. Em Portugal, a procura de financiamento bancário está francamente abaixo da capacidade de oferta dos bancos. Por outro lado, é relativamente baixa a procura de crédito que satisfaz os critérios de concessão e de gestão de risco que os bancos estão obrigados a cumprir”, explicou Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos (ABP), em declarações ao “DN”.

Devido aos níveis de capital dos bancos não estarem num nível ótimo e o crédito malparado ainda é um grande peso nos balanços, “é natural que os bancos estejam menos propensos a emprestar”, justificou Rui Bárbara, economista do Banco Carregosa. “Como as famílias portuguesas são das mais endividadas do mundo, é também compreensível que muitas não queiram aumentar o crédito. Daí a tendência para acumular liquidez”,disse.