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Discurso de Mortágua não corresponde à “linguagem” nem representa as “prioridades” do PS, diz Costa

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José Coelho/ Lusa

António Costa, em entrevista ao “Público”, nega que a linguagem do BE seja a dos socialistas e garante que não vai haver remodelações no Governo para já. “O que dá força a esta maioria é o pragmatismo”, afirma

António Costa recusa que a “linguagem” e a “ideia” deixadas por Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, no anúncio do imposto sobre bens imóveis de luxo – “do ponto de vista prático, a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro” – represente o atual Governo. “Essa nem é a linguagem do PS, nem é essa a ordem de prioridade que temos”, diz o primeiro-ministro na segunda parte de uma grande entrevista dada “Público” e publicada esta terça-feira. (Pode ler o resumo da primeira parte aqui.)

Para Costa, há, claro, uma pluralidade de vozes dentro dos partidos que apoiam o Governo. Mas isso não implica que todos concordem uns com os outros ou se expressem da mesma maneira. “Não falamos por todos, cada um fala por si e pelo seu próprio partido. Admito que seja estranho, sobretudo depois de quatro anos onde tivemos uma coligação que assentava no esmagamento da diferença do outro e em que a solidez da coligação passava pelo CDS ter de revogar sistematicamente aquilo que considerava que era irrevogável”, afirma.

Questionado sobre que resposta irá dar ao Presidente da República após o veto à lei que introduzia a quebra do sigilo bancário em contas acima de 50 mil euros, António Costa fecha-se em copas. Mas também não quer comprar quezílias com Marcelo Rebelo de Sousa. “Não há aqui uma batalha ideológica”, diz.

“O que dá força a esta maioria é o pragmatismo”

Passado um ano das eleições legislativas, Portugal tem uma democracia “bastante mais inclusiva”, diz António Costa. A questão que a início foi lançada pela oposição se este Governo teria legitimidade para governar “está claramente ultrapassada”, garante.

“Ninguém tem dúvidas, desde o anterior Presidente da República ao atual Presidente da República, no Parlamento, ninguém questiona a legitimidade constitucional e política desta solução, que os resultados têm confirmado ser uma boa solução”, diz.

A chave deste acordo das esquerdas? “Pragmatismo”. “Aquilo que permitiu, aquilo que permite e dá força a esta solução governativa é o pragmatismo com que todos assumiram a necessidade de responder com resultados àquilo que era reclamado pelos cidadãos. Portanto, os quatro partidos têm identidades bem firmadas e distintas, que ninguém tem preocupação de esbater. Pelo contrário, todos as afirmamos com total naturalidade.“

Não há remodelações governamentais à vista

Quanto aos secretários de Estado que se viram envolvidos na polémica das viagens ao Europeu de futebol com viagens pagas pela Galp, continuam com lugar assegurado no Governo nos próximos meses. Os três “têm estado a fazer um trabalho excelente”, pelo que “seria uma grande perda para o país” afastá-los, diz António Costa ao matutino. Se houve erro foi devidamente reparado, porque “todos eles pagaram o valor da viagem que tinham aceitado”.

“Não há nenhuma razão para qualquer tipo de remodelação. Aceitei o pedido de demissão do dr. João Soares, nas circunstâncias em que ele entendeu que o devia fazer. Mas o Governo tem estado a funcionar bem. Tenho plena confiança em todos os membros do Governo”, garante.

  • António Costa: “O único banco que será sempre português é a Caixa”

    Em entrevista ao “Público” esta segunda-feira, o primeiro-ministro deixa muitas novidades: o Orçamento de Estado para 2017 vai aumentar novos impostos indiretos e o polémico escalão para o IMI sobre imóveis de luxo também vai avançar, apesar de ainda não serem conhecidas todas as condicionantes. Os trabalhadores da função pública só terão novos aumentos em 2018