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Santana Lopes: “O Novo Banco não pode ser nem o Banif nem o BPN”

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Tiago Petinga

A não ser que o Novo Banco seja “muito bem vendido”, Pedro Santana Lopes defende que a instituição bancária liderada por António Ramalho deve ficar com “uma matriz portuguesa”

“A economia portuguesa, as empresas portuguesas, o sector social português, precisam de um Novo Banco de matriz portuguesa”, escreve Pedro Santana Lopes, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, num artigo de opinião publicado esta quinta-feira no “Jornal de Negócios”.

A ideia do social-democrata é simples: para quê vender o Novo Banco a uma qualquer instituição bancária estrangeira “por um preço que não seja próximo dos 4,9 mil milhões de euros, que tiveram de ser suportados pelo Estado através do Fundo de Resolução”? Para isso, que o Novo Banco fique em Portugal, defende.

“Qualquer pessoa compreende que as circunstâncias mudaram, que o estado do sistema financeiro em Portugal piorou, que já houve uma primeira ronda do Novo Banco e não esteve nem próxima desse valor, e que as propostas da segunda ronda pouco acima do zero estão”, escreve, para justificar as suas expectativas de que o negócio seja sempre inferior ao valor “gasto” pelo Fundo de Resolução.

Santana Lopes discorre sobre as condicionantes de venda da instituição liderada por António Ramalho e lembra também casos do passado que abanaram a banca portuguesa. “O assunto é sério demais e importante demais para tudo isto ser feito daquele modo repentino e inesperado que dá normalmente pelo nome de facto consumado. O Novo Banco não pode ser nem o Banif nem o BPN. Como se sabe, o Novo Banco é muito mais importante do que qualquer um desses dois e é essencial para a economia portuguesa”, escreve.

No final de tudo, o mais importante é que não seja feito um mau negócio às pressas. “Já perdemos valor a mais para encararmos tudo isto sem alguma exaltação. Não estou a dizer que o BPI ou qualquer outro banco estrangeiro não possam comprar o Novo Banco, mas tem de ser muito bem vendido”, sublinha.