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Moedas: Bruxelas tem de respeitar que governos cumpram metas orçamentais de “maneira diferente”

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STEVEN GOVERNO / Lusa

“Não vejo nenhum risco. Espero profundamente que isso nunca mais aconteça”, afirma o comissário europeu quando questionado sobre a possibilidade de um novo programa de ajustamento em Portugal

Alguns dos relatórios da Comissão Europeia mostram que Bruxelas não concorda com todas as medidas que António Costa está a aplicar no mercado do trabalho. Mas isso não é um problema. “A Comissão pode gostar mais de uns caminhos ou de outros, mas tem de respeitar que os países cheguem a esse ponto [cumprimento das metas orçamentais] de uma maneira diferente. É isso que diferencia os governos”, defende Carlos Moedas, comissário europeu para a Investigação, Inovação e Ciência, em entrevista ao “Jornal de Negócios” desta segunda-feira.

Bruxelas tem de respeitar a “soberania”, mas “respeitar não significa que não se critique”. Os relatórios da Comissão Europeia não são declarações políticas, diz Carlos Moedas, ex-ministro do Governo de Passos Coelho. “São dos funcionários da casa, que não estão a pensar politicamente. Sabem da sua técnica, mas não dizem as coisas por mal. As pessoas fazem interpretações políticas, mas mal eles [funcionários] sabem que estavam a criar um problema”, explica.

Como o país já não está obrigado às decisões da troika, há mais liberdade para o Governo. “Com a troika, estava-se mais apertado. Havia chamadas semanais para Portugal e um cerco apertado sobre o que se podia ou não fazer”, diz.

Carlos Moedas nega ainda que haja um distanciamento entre o executivo de António Costa e Bruxelas. “Até agora, o Governo tem estado sempre a cumprir, a enviar tudo aquilo que é necessário. Sempre em total sintonia. Nunca senti nenhuma desconfiança face a este Governo, nem ao anterior. A comissão não tem qualquer interesse em dar-se mal”, afirmou.

Quanto à possibilidade de um novo programa de ajustamento, o Comissário Europeu para a Investigação, Inovação e Ciência é categórico. “Não, não vejo nenhum risco. Espero profundamente que isso nunca mais aconteça e, com os dados que temos, não vejo nenhum risco. Queremos que o país avance, que o orçamento seja cumprido, que Portugal saia do Procedimento dos Défices Excessivos”, afirma.