Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

“Já é tarde para tomar medidas que corrijam o défice deste ano”, diz chefe da missão do FMI em Portugal

  • 333

Subir Lall, Chefe de missão do Fundo Monetário Internacional

Marcos Borga

Em junho, quando o FMI esteve em Lisboa, “já tínhamos avisado que se estava a chegar a uma altura tardia do ano para que se tomassem medidas adicionais”, lembra Subir Lall, chefe da missão em Portugal, em entrevista ao “Público”. Agora, a meio de setembro, é preciso pensar no futuro, defende

“Já é tarde para tomar medidas que corrijam o défice deste ano. Não consigo conceber quais as medidas que possam nos últimos três meses do ano compensar o diferencial existente. O foco deve estar agora em 2017 e em perceber o que é preciso fazer.” Subir Lall, chefe de missão do FMI em Portugal, é taxativo em entrevista ao “Público” esta sexta-feira: as contas de 2016 já são uma carta fora do baralho.

Em junho, quando o FMI esteve em Lisboa, “já tínhamos avisado que se estava a chegar a uma altura tardia do ano para que se tomassem medidas adicionais”, lembra Subir Lall. Agora, que estamos a meio de setembro, é preciso pensar no futuro, defende.

Até porque a economia está a abrandar, tal como o FMI tinha previsto em 2015. “O que existe é um problema estrutural com o crescimento. Estamos numa situação em que estamos a chegar ao que nós pensamos ser o crescimento potencial de médio prazo da economia, que é bastante baixo, na ausência de novas reformas. A recuperação cíclica desapareceu e ficámos com o nível de crescimento que se pode considerar normal, dadas as características estruturais da economia”, explicou o chefe de missão do FMI em Portugal.

Não adianta encontrar fantasmas para culpar. O Brexit não passou de uma gota no oceano no impacto das contas portuguesas. A estimativa do FMI é que este tenha tido “um impacto máximo de apenas 0,1% do PIB”. E aumentar impostos também não é via recomendada. “A partir de determinada altura, aumentar os impostos já não nos leva muito longe”, avisa Subir Lall, sublinhando ainda que “os impostos, incluindo os impostos indiretos, são já bastante elevados em Portugal”.

As reformas que surgirem devem vir do “lado da despesa”, defende. Já que do lado da receita, “o desempenho está a ser mais fraco do que aquilo que está previsto para a totalidade do ano”.

“A previsão no OE é de um crescimento de 4,9% e até agora o aumento é menor. Será precisa uma aceleração forte da receita para se conseguir chegar ao objetivo no fi m do ano. Isso será particularmente difícil com uma economia que não está a crescer rapidamente. De acordo com as nossas previsões, deve crescer 1% este ano, quando o OE tinha como base 1,8%”, explicou.

Ainda na mesma entrevista ao “Público”, Subir Lall explica como os números do desemprego dos últimos trimestres podem ter vindo a ser mal interpretados. Se é verdade que existe uma tendência decrescente desde o terceiro trimestre de 2015, lembra, tem-se também “assistido a um declínio no volume de força de trabalho disponível. As pessoas ou estão a sair da população ativa ou deixaram de procurar emprego. Se isso não tivesse acontecido, a taxa de desemprego teria sido mais alta”.