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António Saraiva: “Bloco e PCP vão ter de engolir sapos”

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MIGUEL A. LOPES / Lusa

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) disse, em entrevista ao “Jornal Económico”, que esta é a condição para o país ter a estabilidade política que precisa

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, considera que o apoio do Bloco de Esquerda e do PCP ao Governo PS os vai obrigar a engolir alguns sapos, a bem da estabilidade política que o país precisa.

"Este Governo vem, na minha perspectiva, ter a possibilidade de durar a legislatura por não vejo que os partidos que o suportem tenham, hoje, condições políticas para promover ou provocar eleições, já que para qualquer um dos partidos levar auma crise política seria uma perda para os próprios, na minha opinião. É apenas uma questão de terem mais ou menos capacidade de garganta para engoliar este ou aquele sapo e o país ter, através disso, estabilidade", disse em entrevista à edição desta sexta-feira do “Jornal Económico”.

Para Saraiva, "independentemente da engenharia parlamentar a que se chegou para este governo ter a legitimidade para governar, mais importante é que a estabilidade política exista e que as políticas do governo, seja ele qual for, continue a promover as reformas e tenha na iniciativa privada um parceiro para atingir o tal crescimento".

E continua: "Não podemos diabolizar os empresários, não podemos - como já ouvi alguns dirigentes do Bloco - ter algum tique ideológico em relação ao parronato e à iniciativa privada, porque sem empresas não há criação de riqueza e sem criação de riqueza não há emprego".

O presidente da CIP disse ainda na mesma entrevista ao Jornal Económico, o novo semanário que nasceu da junção do Oje ao que restava do Diário Económico, que a prioridade dos empresários não é tanto a legislação laboral, mas sim "a recapitalização das empresas", o "acesso ao financiamento" e o aumento da procura, através da diversificação de mercados.

Nesse sentido, António Saraiva revela as quatro propostas que os empresários têm para o Orçamento do Estado para 2017, documento que está já a ser preparado e será apresentado a 14 de outubro.

"O papel do Orçamento deve ter em vista a promoção do investimento em quatro grandes áreas: retomar o calendário da rdução da taxa sobre o IRC e dar alguma previsibilidade fiscal aos investidores; alargar o âmbito de aplicação do regime de estável remuneração convencional do capital social; criar um fundo especializado na reestruturação e na conversão de dívida em capital. (...) e, por fim, pagar prontamente as dívidas das entidades públicas às empresas".

Na mesma entrevista, o presidente da CIP avisa ainda que "Portugal tem necessidade de promover investimento" e que, para isso, é preciso ter "condições de atratividade" e que as políticas públicas fomentem o investimento. Caso contrário, o país não cresce. W "o problema de Portugal chama-se crescimento". "É fundamental promover o crescimento".