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Antigo conselheiro nacional abandona PSD contra “pouca-vergonha” de Passos

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Passos Coelho, durante a sua intervenção na sessão de encerramento da Universidade de Verão 2016 do PSD, em Castelo de Vide.

NUNO VEIGA/LUSA

Paulo Vieira da Silva sai do partido após mais de 25 anos de militância. “É completamente inadmissível que o presidente do PSD e ex-primeiro-ministro de Portugal faça a apresentação deste inqualificável livro que ultrapassa todos os limites da razoabilidade”, diz ao “Público”, a propósito do lançamento da novo livro de José António Saraiva

O episódio (e confirmação pelo próprio) da apresentação de Passos Coelho do novo livro de José António Saraiva, ex-diretor do “Sol” e do “Expresso”, intitulado “Eu e os políticos: o que não pude (ou não quis) escrever até hoje [O livro Proibido]”, foi decisivo.

Após ter lido o livro “polémico” numa noite, Paulo Vieira da Silva, antigo conselheiro nacional do PSD, tomou a decisão de sair do partido de que era militante há mais de 25 anos, revela o “Público” esta terça-feira. “É completamente inadmissível que o presidente do PSD e ex-primeiro-ministro de Portugal faça a apresentação deste inqualificável livro que ultrapassa todos os limites da razoabilidade”, diz ao matutino.

O ex-militante deixa muitas críticas ao atual líder do partido numa carta a que o “Público” teve acesso. Segundo ele, Passos Coelho passou de “primeiro-ministro a profeta da desgraça” e está “desfasado da atual realidade política e social”, acusa.

“Não foi uma decisão fácil, mas há momentos em que temos que ser claros e dizer não. Há limites para tudo. Uma coisa é a luta política, por vezes dura, a defesa de pontos de vista muitas vezes antagónicos de forma convicta, o estar sujeito quotidianamente ao escrutínio público, outra coisa é ‘abençoar’ a devassa da vida privada e íntima das pessoas”, refere na missiva.

O antigo conselheiro nacional do PSD denuncia uma “deriva neoliberal” que o PSD conheceu com a liderança de Passos, o que terá afastado o partido dos “princípios ideológicos que estiveram na génese da sua fundação”. Com a ascensão de Passos Coelho à liderança do PSD, “a mediocridade passou a ser premiada”, diz.

“Apesar de deplorável e nojento, entendo que isto fica com o senhor arquiteto [José António Saraiva]. Porém, outra coisa bem diferente é ver Pedro Passos Coelho, o presidente do PSD, o meu partido há mais de 25 anos, ‘patrocinar’ esta pouca-vergonha”, lê-se ainda na carta.

Paulo Vieira da Silva ficou conhecido em abril do ano passado com uma denúncia à Procuradoria-Geral da República (PRG), em que acusava Marco António Costa, deputado e porta-voz do PSD, de montar uma “rede de interesses” e de ter cometido uma série de irregularidades, ainda nos tempos em que estava na Câmara de Valongo, lembra o “Público”.