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“Não podemos justificar as boas políticas como iniciativas dos governos e as políticas incómodas como imposições europeias”

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Margarida Marques, secretária de Estado para os Assuntos Europeus, rejeita uma culpabilização da União Europeia por todos os problemas nacionais, mas também desconsidera que só haja uma “via única”, a via da austeridade

“Não podemos, em quaisquer circunstâncias, justificar as boas políticas como iniciativas dos governos e as políticas incómodas como imposições de Bruxelas”, assume Margarida Marques, secretária de Estado para os Assuntos Europeus, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta sexta-feira.

Margarida Marques, socialista com mais de 20 anos de experiência de trabalho junto da Comissão Europeia, rejeita uma culpabilização da União Europeia por todos os problemas nacionais, mas também desconsidera que só haja uma “via única”, a via da austeridade. “Há regras para cumprir, e nós cumprimos, há restrições, e nós sabemos quais elas são, mas dentro delas cabe a cada país definir as políticas para atingir os objetivos”, afirmou.

O Governo de António Costa está a conseguir fazer esse equilíbrio, e a prova, diz, “é que está a conseguir seguir uma agenda diferente da austeridade que o anterior Executivo nos impôs.”

“Este Governo mostrou que é preciso uma agenda diferente. É claro que há restrições, como em qualquer família. Nós temos o Orçamento, as receitas e o crescimento que temos. Mas este Governo toma opções políticas orientadas para a satisfação de condições de vida melhores”, sublinhou.

Quanto a voltar-se a discutir a reestruturação da dívida, tal como Tsipras pediu em Atenas há pouco tempo, a secretária de Estado para os Assuntos Europeus diz que essa é uma “questão europeia” e que nenhum país a deva colocar “individualmente”. “No momento que for oportuno, a UE terá necessariamente de discutir essa questão”, disse.