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Bataglia admitiu que emprestou sete milhões a primo de Sócrates

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Hélder Bataglia tem estado sob suspeita e investigação do Ministério por causa da Escom (submarinos), a Akoya e agora Vale do Lobo

FOTO Jose Carlos Carvalho

Entre 2005 e 2007, Helder Bataglia assume ter emprestado a um primo de José Sócrates, que já tinha sido referenciado no processo Freeport, um valor que “não consegue precisar a esta distância”, mas que “julgava ser próximo dos sete milhões de euros”

Hélder Bataglia, o empresário luso-angolano ligado ao Grupo Espírito Santo e arguido da Operação Marquês, admitiu num interrogatório feito em Angola a pedido do Ministério Público português, que emprestou sete milhões de euros a José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, primo de José Sócrates, noticia o “Público” esta sexta-feira. Este primo de Sócrates já havia sido referenciado no processo Freeport, caso em que o nome do ex-primeiro-ministro também esteve envolvido.

De acordo com o Ministério Público, uma parte significativa desse dinheiro, cerca de 5,5 milhões de euros, terá acabado por ir parar às contas de Carlos Santos Silva, amigo e “testa de ferro” de José Sócrates.

Este interrogatório terá sido feito em abril – no mesmo momento em que Bataglia foi constituído arguido do processo -, mas só agora é que foi remetido para Portugal, conta o matutino.

Durante as oito horas e meia de conversa, Bataglia assumiu conhecer pessoalmente Sócrates, mas garantiu que só se cruzou com este “não mais do que meia dúzia de vezes ou pouco mais”. Confirmou que geria duas das off-shore de onde partiram as transferências que estão na base da investigação da “Operação Marquês” e admitiu ter feito os movimentos bancários de que é acusado.

Contudo, o empresário negou que estes se destinassem a José Sócrates. Mas também não revelou a motivação por trás destes. “Por razões relativas à sua vida pessoal e empresarial e por conselho dos seus advogados, o declarante não pretende nesta fase – como sabe ser seu direito- revelar o enquadramento e os seus propósitos relativos a tais transferências”, lê-se no auto a que o “Público” teve acesso.

Helder Bataglia confirmou ainda ter feito um empréstimo ao primo do ex-primeiro-ministro, José Paulo, que diz conhecer desde jovem e com quem mantém uma relação de amizade.

Entre 2005 e 2007, o amigo passou por dificuldades financeiras e o empresário emprestou-lhe um valor que “não consegue precisar a esta distância”, mas que “julgava ser próximo dos sete milhões de euros”.

Segundo Bataglia, João Paulo, primo de Sócrates, terá reembolsado já em 2012 o empresário em 4,5 milhões através da entrada num negócio conjunto de exploração de salinas, em Benguela. Mais tarde terá pago outra parte. Neste momento, ainda existe uma parte em dívida, disse.