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Governo quer cortar em 30% importação e extração de matérias-primas

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PEDRO NUNES / Lusa

O ministro do Ambiente promoveu, junto de empresários, a utilização de produtos em fim de vida como novas matérias-primas. O objetivo é cortar em 30% a extração e importação de matérias-primas até 2020 e promover a economia circular

O governo quer reduzir em 30% a importação e extração de matérias-primas até 2020 , estando a promover o aumento da utilização de produtos em fim de vida como novas matérias-primas nos processos de produção.

“Estamos a viver a crédito no que aos recursos diz respeito”, afirma João Matos Fernandes, ministro do Ambiente, em entrevista ao Jornal de Negócios esta terça-feira.

“Não podemos continuar a extrair da terra mais do que os próprios ecossistemas conseguem regenerar e, se reduzirmos muito o preço das matérias-primas, conseguimos libertar dinheiro para inovar, investir e pagar melhores salários”, explicou.

Matos Fernandes lançou ontem, numa reunião à porta fechada, um repto a muitos empresários portugueses: que o país passe para uma economia circular, em que um produto em fim de vida não seja um resíduo, mas uma nova matéria-prima reintroduzida no processo de fabrico.

“O nosso objetivo é reduzir a extração e importação de matérias primas em 30%[até 2020]. Sabendo que este é um processo complexo, que envolve quase todos os sectores de atividade, que envolve uma mudança de comportamento das pessoas e que no passado estava muito focado na gestão dos resíduos”, explicou.

Se esta ideia entrar realmente na engrenagem mental da indústria portuguesa, será possível diminuir a extração de minerais não metálicos em três milhões de toneladas, diz.

O Governo, por sua vez, também dará o exemplo. “Com uma estratégia de compras públicas que está a ser montada e pela promoção do conhecimento. Esta segunda-feira foi apresentado à porta fechada, mas será apresentado em público no início de outubro, o portal "eco.nomia" para promover a troca de experiências e de informação”, disse.

Entretanto, será sempre preciso sensibilizar a banca, um dos principais meios de financiamento que os produtores nacionais têm. João Matos Fernandes assume que esta, “não é que não esteja disponível, mas está pouco informada sobre o que são os projetos de economia circular e como é que esses projetos podem ser avaliados”. Por outro lado, lembra que os concursos a fundos europeus são “ilimitados”.