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Barroso sem privilégios? “Normalíssimo”, diz Nuno Melo

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Marcos Borga

“Qualquer cidadão que represente uma entidade muito menos significativa do que a Goldman Sachs para interagir com deputados do Parlamento Europeu tem de se declarar como lobista”, diz o eurodeputado do CDS

As preocupações de Jean-Claude Juncker e a retirada de privilégios a Durão Barroso junto da Comissão Europeia fazem todo o sentido, é “normalíssimo”, considera Nuno Melo, eurodeputado do CDS e uma das vozes fortes do partido, em entrevista à Rádio Renascença, na segunda-feira à noite.

Presidente não-executivo da Goldman Sachs, Durão Barroso passará a ser recebido em Bruxelas como lobista e não como antigo presidente da Comissão Europeia, como o Expresso avançou no domingo à noite. Para Nuno Melo não podia ser de outra forma: “Qualquer cidadão que represente uma entidade muito menos significativa do que a Goldman Sachs para interagir com deputados do Parlamento Europeu tem de se declarar como lobista”, explica à Renascença.

Em Bruxelas, o lobismo é uma atividade altamente regulamentada, por razão da necessidade de transparência no exercício da ação politica, coisa que, de resto, “o próprio José Manuel Durão Barroso bem saberá”, lembra o dirigente centrista. Barroso perderá o seu estatuto de ex-presidente e passará a ser contabilizado no meio dos 30 mil lobistas registados em Bruxelas.

“O que é facto é que, tendo sido presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso hoje desempenha funções numa empresa que, à escala global (…) teve intervenção naquilo que teve a ver com a gestão do processo político de dívidas soberanas da União Europeia”, sustenta Nuno Melo.

  • Provedora de Justiça da UE: “Pressão e escrutínio no caso Barroso vão continuar”

    A Provedora de Justiça europeia tem sido um dos elementos de pressão no caso Barroso, que vai deixar de ser recebido como ex-presidente da Comissão Europeia. Emily O’Reilly pediu esclarecimentos à Comissão e esta acabou por pedir a Durão que mostrasse o contrato com o Goldman Sachs. O’Reilly defende que está em causa a confiança dos cidadãos nas instituições europeias e, por isso, tem de ficar claro se no novo emprego Barroso está ou não a violar os tratados. Se estiver, a Comissão pode pedir ao Tribunal de Justiça da UE que suspenda a pensão do ex-presidente