Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

“Novo Banco deveria ter sido vendido” logo à primeira oportunidade, diz ex-ministra

  • 333

Luis Barra

A ministra das Finanças de Passos Coelho admite que se ainda se encontrasse no Governo hoje reconduziria Carlos Costa à liderança do Banco de Portugal. “Não me arrependo de todo da decisão tomada. Acho que foi um homem muito corajoso”, diz Maria Luís Albuquerque

“O Novo Banco deveria ter sido vendido” logo na primeira oportunidade, diz Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta segunda-feira. “Essa decisão não era do Governo, era do Fundo de Resolução. Mas a minha posição na altura é que devia ter sido vendido. Acho que esperar por dias melhores para vender não tem sido uma estratégia positiva”, explica.

Para Maria Luís Albuquerque, pode demorar mais tempo para que o Fundo de Resolução devolva os 3,9 mil milhões, “mas a lei nem permite que esse dinheiro não seja devolvido”. “A questão que se pode colocar é se demora mais ou menos tempo”, diz.

A ministra das Finanças de Pedro Passos Coelho assume que se ainda se encontrasse no governo hoje reconduziria Carlos Costa à liderança do Banco de Portugal. “Não me arrependo de todo da decisão tomada. Acho que foi um homem muito corajoso, que tomou decisões muito difíceis, numa altura particularmente exigente da supervisão e da regulação”, explicou.

Quanto à génese da crise portuguesa, diz que “é como a história do ovo e da galinha”. Não se pode dizer com grande certeza se teve origem na crise bancária ou nas contas públicas. “Contas públicas saudáveis fazem diferença quando é preciso intervir no sector financeiro. A crise começou por ser financeira, transformou-se numa crise de dívidas soberanas e, no caso de Portugal, eliminou os fatores que disfarçavam a sua existência. A crise estava cá, os nossos problemas estruturais estavam cá. Enquanto a situação era de alguma euforia, os mercados ignoraram os sinais de alerta e quando as coisas correram mal, interromperam abruptamente o financiamento, como acontece sempre”, afirmou.