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Vítor Gaspar aconselha: as dívidas devem ser reduzidas “aos poucos e ao longo de muito tempo”

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© Hugo Correia / Reuters

Os governos não devem adotar políticas de redução de dívida a todo o custo, mas devem aproveitar “as receitas das privatizações ou momentos de expansão que geram receitas excecionalmente elevadas”, defende o ex-ministro das Finanças

Há benefícios em aumentar os impostos, deixando de lado “considerações macroeconómicas”, para pagar a dívida (a dívida portuguesa, digamos)? Segundo Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças do governo de Pedro Passos Coelho, a resposta é não, lê-se no “Diário de Notícias” esta terça-feira.

Os governos não devem adotar políticas de redução de dívida a todo o custo, mas devem aproveitar, “por exemplo, as receitas das privatizações ou momentos de expansão que geram receitas excecionalmente elevadas”, defende o ex-ministro das Finanças.

Num artigo assinado em conjunto com Júlio Escolano, conselheiro do FMI para o continente africano, no blogue IMF Direct, publicado a 26 de agosto, Gaspar levanta a questão: “O que devem fazer os governos caso o rácio da dívida seja elevado face ao PIB?”

O ex-ministro das Finanças é categórico na resposta e na argumentação. Cita três economistas do FMI, que num trabalho publicado no ano passado defendiam que um elevado rácio de dívida pública prejudica os padrões de vida dos países e o crescimento. Ora bem, para Vítor Gaspar este é um sinal de alerta.

“Nas economias avançadas, o rácio da dívida em relação ao PIB atingiu (em 2015) o nível mais elevado desde 1950. O aumento das dívidas foi particularmente acentuado em comparação com o início da Grande Recessão, quando muitos governos agiram no sentido de resgatar o sistema financeiro e estimular a atividade económica à custa de um substancial aumento da dívida pública. Numa época de baixa inflação e baixo crescimento, a desalavancagem é difícil”, explica.

Os impostos devem ser aumentados apenas na medida necessária para estabilizar a dívida, defende Vítor Gaspar no mesmo texto. “Aumentar a carga fiscal mais do que o necessário, apenas para reduzir a dívida, não seria eficiente porque a carga fiscal excessiva cresce mais do que proporcionalmente em relação à taxa do imposto”, justifica.