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Vera Jardim: “As proibições sempre deram mau resultado”

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Campiso rocha

Para o socialista, “há problemas graves na Europa, problemas de convivência entre comunidades”. São problemas religiosos, mas sobretudo culturais, diagnostica

“Proibir vestuários ou obrigar vestuários é coisa que não me convence como modo de convivência sã entre as pessoas”, diz Vera Jardim, ex-ministro da Justiça socialista e autor político da Lei de Liberdade Religiosa, que levou à criação da Comissão de Liberdade Religiosa, em entrevista à “Renascença”, no mesmo dia em que passa a presidir essa comissão por nomeação do Conselho de Ministros. “Vejo mal as proibições, sempre deram mal resultado, desde tempos muito antigos”, sublinha.

Para Vera Jardim, “há problemas graves na Europa, problemas de convivência entre comunidades”. São problemas religiosos, mas sobretudo culturais. “Vemos a França, que tem uma experiência muito diferente dos outros países da Europa do Sul, lidar com o problema com proibições disto e daquilo, do uso do véu nas escolas, do uso do burkini... É a experiência francesa, que é muito única na Europa, porque a maior parte dos países têm um relacionamento diferente com as religiões”, diagnostica.

O socialista afirma ainda que desde a saída de Mário Soares, em 2011, da Comissão de Liberdade Religiosa, “houve um desinteresse por parte do Governo” por esta. A sua esperança, diz, é que esta possa ser “revitalizada”, que passe a ter um papel relevante na sociedade portuguesa.

“Há uma série de coisas que fazem parte do mandato da Comissão e que, por falta de apoio do Governo, não têm sido feitas. Estudos, informações, pareceres, tomar a iniciativa de, porventura, alterar a lei ou as leis que regulam as religiões minoritárias em Portugal”, explica. Com a sua chegada e os apoios reunidos junto da ministra das Justiça, este cenário poderá ser contornado, garante.

A partir desta segunda-feira, vão passar também a estar representadas outras confissões religiosas na Comissão, revela. “Vão entrar a União Budista e estão representadas as confissões históricas, sempre estiveram: os islâmicos, os judeus e os evangélicos.”