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Reembolsos do Estado ao FMI ameaçados pela injeção de fundos na Caixa

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“Não há nenhum sinal de que os 2,5% – a meta [do défice] que a Comissão Europeia definiu – não serão cumpridos”, disse Cristina Casalinho, presidente do IGCP, ao “Negócios”

Dos 6,6 mil milhões de euros que o Estado tinha previsto reembolsar ao FMI este ano, há 2,6 mil milhões que podem ser desviados para a Caixa Geral de Depósitos, revela Cristina Casalinho, presidente do IGCP, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta segunda-feira. Este valor poderá ser utilizado na recapitalização do banco do Estado.

“O que está orçamentado é o pagamento [ao FMI] de 6,6 mil milhões, dos quais quatro mil milhões estavam dependentes da alienação de alguns ativos financeiros. Os 2,6 mil milhões, que de alguma forma faziam parte do compromisso de financiamento, estão assegurados. Ao nível do financiamento que foi incluído no programa, acreditamos que é exequível. Agora, estes 2,6 mil milhões podem ter outros destinos”, explicou Cristina Casalinho.

Mesmo com a subida dos juros este ano, os reembolsos ao FMI continuam a fazer sentido, defende. “O empréstimo tem hoje uma vida média de 4,5 anos e as emissões que temos feito este ano são próximas dos dez anos. Se olharmos para a dívida total, mesmo a detida apenas por entidades privadas, estamos a falar de empréstimos de sete anos, com uma taxa média de 2,8%. Os empréstimos do FMI têm 4,5 anos e uma taxa de 3,6%. Portanto, são ainda quase cem pontos base de diferença”, justificou.

A responsável da dívida pública portuguesa, que sucedeu a Moreira Rato em 2014, revelou ainda ao “Negócios” que a instituição que lidera acordou com o Governo que a injeção de fundos à Caixa Geral de Depósitos não será contabilizada para o défice. “Não há nenhum sinal de que os 2,5% – a meta que a Comissão Europeia definiu – não serão cumpridos. Mesmo no caso de haver algum deslize, não se afigura que seja surpreendente”, disse.