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Não há mercado interno ou externo para a produção nacional de cimento

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José Ventura

Durante o primeiro semestre de 2016, o volume de exportações da Secil caiu 22,2% e a Cimpor perdeu 40%,relativamente ao período ao homólogo em 2015

A construção civil em Portugal (e não só) abrandou. O país está a consumir um quarto do cimento que pode produzir e as exportações também estão a cair drasticamente, conta o “Jornal de Negócios” esta segunda-feira.

A Cimpor e a Secil têm, em conjunto, seis fábricas de cimento em Portugal, com capacidade de produção de 10 milhões de toneladas. Neste momento, só a produção de uma unidade seria suficiente para abastecer o mercado nacional. O consumo interno deste produto está ao mesmo nível do início dos anos 1970, revelam os resultados semestrais das duas empresas divulgados na semana passada.

Segundo o relatório de contas do primeiro semestre da Semapa, dona da Secil, o consumo de cimento em Portugal caiu 4,9% relativamente ao mesmo período do ano passado, distribuindo cerca de 1,3 milhões de toneladas de cimento.

Por comparação, em 2000, só o mercado interno consumia 11 milhões de toneladas de cimento. A manter-se a tendência, o sector admite que 2016 termine pior do que 2014, ano em que foram atingidos mínimos, na ordem dos 2,4 milhões de toneladas, lembra o “Negócios”.

Porém, a culpa desta queda não é da exclusiva responsabilidade do mercado interno. Os ditos países com as receitas dependentes do petróleo, como é o caso de Angola, diminuíram em muito a procura deste material. O volume de exportações da Secil caiu durante o primeiro semestre 22,2% e a Cimpor perdeu 40%, relativamente ao período ao homólogo em 2015, devido à crise financeira que alguns destes países enfrentam.