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Rita Rato: “Só pela reposição das 35 horas, a solução iniciada em outubro já valeu a pena”

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José Carlos Carvalho

Durante os quatro anos de governo PSD/CDS-PP, “assistimos aos trabalhadores da administração pública a lutar contra a imposição das 40 horas, mas disseram que não havia volta a dar, a ‘troika não deixa’, o ‘PSD não quer’”, acusa a deputada comunista

Só pela reposição das 35 horas , a criação da “geringonça” já valeu a pena, defende Rita Rato, deputada do PCP, em entrevista do “Diário de Notícias” esta sexta-feira.

Foi uma conquista importante, a maior conquista desde que o PS chegou ao poder e retirou Pedro Passos Coelho da liderança do país. Pela “reposição deste direito [as 35 horas] e do rendimento e dos salários que foram cortados, a solução iniciada em outubro já tinha valido a pena, nem que fosse só por isso”, diz.

Foram os quatro anos da liderança PSD/CDS-PP que acabaram por catapultar a criação da geringonça, um acordo histórico junto dos partidos da esquerda portuguesa, explica a deputada.

Durante esse período, “assistimos aos trabalhadores da administração pública a lutar contra a imposição das 40 horas, disseram que não havia volta a dar, a ‘troika não deixa’, o ‘PSD não quer’”, lembra. Mas, mesmo assim, Rita Rato não se compromete que o atual Governo chegue ao final da legislatura. Tudo irá depender do caminho de “reposição de direitos” que António Costa seguir. “Acredito que o PCP tem um compromisso com os eleitores pela melhoria das condições de vida”, diz.

Rita Rato recusa ainda a ideia de o seu partido estar a fechar os olhos a determinadas medidas do PS ou de já o ter feito durante a aprovação do Orçamento de Estado para 2016. “Temos muitas divergências com o PS, agora isso não significa que, quando for necessário, cá estaremos para encontrar soluções positivas. E, quando se trate de matérias com as quais não nos revemos, votamos contra”, diz.

Ainda na mesma entrevista, a deputada comunista lembra que o PCP tem uma posições diferentse do PS em algumas questões: “Temos dois terços dos pensionistas, idosos, a sobreviver com aquilo que está abaixo do limiar da pobreza, isso é inaceitável; sobre as questões do salário mínimo, há discriminações salariais; continuamos a ter desigualdades sociais que são gritantes, jovens que não vão para o ensino superior por falta de dinheiro”, disse ao “DN”.