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Vagas para internato de jovens médicos duplicaram em menos de um década, mas podem ficar sem especialidade

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Carl Court / Getty Images

O aumento do número de vagas está a preocupar os responsáveis da Ordem dos Médicos. Alguns destes jovens não terão vaga para fazer a formação de especialidade, avisam

Em oito anos, as vagas para os recém-licenciados em medicina que vão entrar em 2017 no internato do ano comum mais do que duplicaram, conta o “Público” esta quinta-feira. De 1085 vagas em 2008, o número de lugares disponíveis subiu para 2414 este ano, de acordo com um aviso na quarta-feira publicado em Diário da República.

A maior parte das vagas disponibilizadas foram para os hospitais da região Norte (862) e de Lisboa e Vale do Tejo (822). A zona Centro receberá 426, o Alentejo 103 e o Algarve 100. Os Açores contam com 66 vagas e a Madeira com 35, revela o “Público”. O número total de vagas de qualquer ano é definido de acordo com o total de alunos de medicina que acabaram o curso em Portugal somado com as solicitações de estudantes portugueses e estrangeiros que se formaram fora do país.

O aumento do número de vagas, contudo, está a preocupar os responsáveis da Ordem dos Médicos (OM) que avisam que alguns destes jovens não terão vaga para fazer a formação de especialidade.

“As instituições estão saturadas de internos. Já há hospitais que têm um interno por cada especialista. A formação é deficiente, eles não têm colegas mais velhos para os orientar”, disse José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, ao matutino.

Para o especialista, há um alerta claro: não vai ser possível aumentar as vagas para a formação na especialidade na mesma proporção nos próximos tempos e, por isso, haverá médicos que não poderão especializar-se.

O bastonário da Ordem dos Médicos defende ainda que a medicina sem especialidade, que recusa classificar como indiferenciada, é “uma via sem futuro”, apesar de profissionais terem autonomia para exercer.