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Caldeira Cabral sobre polémica dos convites da Galp: "Será útil uma melhor clarificação" dos limites

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ANDR\303\211 KOSTERS

“Já no passado houve várias outras viagens”, lembra o ministro da Economia, que em entrevista diz estar no “terreno” e não apostar em máquinas de propaganda. Para provar que não tem estado quieto ou calado, dá como exemplo os quilómetros percorridos desde que assumiu o cargo: “O carro em que ando já fez cerca de cem mil”

A sociedade portuguesa não reagiu bem às notícias sobre as viagens dos secretários de Estado a França. Essa polémica, que está a promover uma “clarificação” dentro do Governo nestas questões, não caiu no vazio, garante Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, em entrevista ao “Diário de Notícias”. “Neste sentido esta polémica pode ter sido útil” ao Executivo, disse referindo-se ao código de conduta que o Governo prometeu elaborar em breve na sequência do caso das viagens da Galp.

“Se uma pessoa for visitar uma empresa e esta lhe oferecer uma caneta, uma coisa é se a caneta for de ouro - se calhar já é uma oferta que não é correta -, outra é se for uma caneta normal, com o símbolo da empresa, aí não vejo problema nenhum”, comentou.

Mas nenhuma polémica é útil a 100%. “No sentido de perseguir pessoalmente secretários de Estado que estão a fazer um ótimo trabalho, creio que seria uma polémica inútil e seria levar longe de mais uma coisa que, como se viu, dirigentes de outros partidos também beneficiaram. Como se viu, já no passado houve várias outras viagens e outros aspetos desse género”, justificou.

Caldeira Cabral descreve-se na entrevista como um ministro no “terreno” e que não aposta em máquinas de propaganda. Para provar que não tem estado quieto ou calado, como António Costa brincou no congresso do partido, dá como exemplo os quilómetros que já percorreu, desde que assumiu o cargo. “O carro em que ando já fez cerca de cem mil quilómetros, mas houve algumas vezes em que me desloquei de avião e, portanto, não sei exatamente como contabilizar todos os quilómetros”, diz. Ao fazer o balanço, fala em mais de 200 visitas a empresas e incubadoras e na participação em mais de 60 conferências e eventos.

Com Mário Centeno diz ter uma boa relação, pois, “se não houver uma boa compreensão e um bom diálogo com o Ministério das Finanças”, muitas ideias e projetos “morrem na praia”.

No atual Governo, o ministro da Economia tem a particularidade única de ter agradado aos últimos três líderes do Partido Socialista, sendo que nem sequer está filiado no partido. “Nunca estive muito envolvido nas questões partidárias, estive mais envolvido na ligação à sociedade, na ligação à academia. O que viram em mim? Uma pessoa vinda do mundo académico que estava preparada e habituada a estudar assuntos com alguma profundidade e também com uma boa ligação às empresas, com capacidade de perceber quais as necessidades e as soluções”, explicou.